Agricultura

Problemas portuários atrapalham novamente embarques de café.

Fonte: Café Point

O não embarque atingiu 500 mil sacas em julho; em junho, foram afetadas 453 mil. Cenário pode piorar com a chegada da nova safra.

O esgotamento da infraestrutura nos portos brasileiros fez com que o país deixasse de embarcar 508.732 sacas de 60 kg (1.542 contêineres) de café em julho de 2025. Os dados são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e indicam que o não embarque deste volume impediu que o Brasil recebesse US$ 196,05 milhões (R$ 1,084 bilhão) como receita cambial em transações comerciais. Em junho, foram afetadas mais de 453 mil sacas.

O motivo persiste: a infraestrutura defasada dos portos, que já causou atrasos e alterações de escalas dos navios, gerando prejuízo aos exportadores de café. Segundo o Cacafé, desde julho de 2024, quando o levantamento começou, as empresas associadas ao Cecafé acumulam um prejuízo de R$ 83 milhões. 

Com relação a imagem do Brasil, Eduardo Heron, diretor técnico, explica ao CaféPoint que o exportador brasileiro tem compromisso em manter abastecido seus clientes, mas não enxerga riscos de o país perder espaço para outras origens concorrentes. “O Brasil, ainda que tenha desafios de infraestrutura, possui cerca de 35 portos. O número de portos é maior do que de qualquer país produtor de café, destacando ainda a eficiência do comércio exportador em buscar atender seus clientes”, diz ele, ao dar como exemplo os embarques de breakbulk, método de transporte marítimo de cargas fracionadas.

Em julho de 2025, 51% dos navios tiveram atrasos ou alteração de escalas nos principais portos do Brasil, conforme o Boletim Detention Zero (DTZ), elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé. O porto de Santos, responsável por 80,4% dos embarques de café de janeiro a julho deste ano, registrou 65% de atraso ou alteração de escalas de navios. No período, o tempo mais longo de espera foi de 35 dias no embarcadouro santista.

E a previsão não é de melhora. “O cenário tende a piorar no segundo semestre, com o aumento da chegada dos cafés colhidos na safra deste ano”, alerta. Segundo Heron, o Cecafé mantém diálogo com diferentes agentes do comércio exterior e busca, com os setores público e privado, soluções rápidas e eficazes para minimizar esses gargalos logísticos.

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