Empresa inaugurou uma nova Unidade de Disseminação de Genes (UDG) em Campo Grande (MS)
A Agroceres PIC, líder no mercado brasileiro de genética suína, pretende ampliar de 40% para 60% nos próximos cinco anos a participação de machos reprodutores que utilizam genética líquida, ou seja sêmen resfriado para a inseminação, nos sistemas produtivos no Brasil.
Para isso, a companhia investiu R$ 200 milhões nos últimos dez anos em um projeto de genética líquida. Nesta terça-feira (26/11), a empresa inaugurou uma nova Unidade de Disseminação de Genes (UDG) em Campo Grande (MS), a primeira no Centro-Oeste e a oitava no Brasil. O grupo tem outras três na Argentina. O empreendimento no Mato Grosso do Sul recebeu R$ 50 milhões em investimentos e conclui a primeira fase dos investimentos.
“A comercialização de sêmen resfriado, a chamada genética líquida, tem sido central na estratégia de negócios da empresa”, diz o diretor superintendente Alexandre Rosa. A venda de sêmen representa 19% do faturamento da Agroceres PIC, disse o dirigente, com potencial para atingir 28% em mais três anos. A receita da companhia não foi revelada.
Segundo Rosa, uma matriz fêmea pode influenciar geneticamente, em média, 60 leitões ou cevados (animais em engorda) durante a sua vida útil. No caso do macho terminador, ele influencia geneticamente até 9 mil animais.
O executivo conta que a comercialização de sêmen representa cerca de 80% do share de machos reprodutores na Europa e na América do Norte e apenas 40% no Brasil. “Isso significa que ainda há uma boa possibilidade de crescimento da adesão dessa tecnologia entre os produtores brasileiros”, relata.
Na Argentina, onde produtores são de menor porte, com cerca de 15 mil matrizes, é possível atender 100% do mercado, diz. Suinocultores brasileiros e argentinos têm juntos cerca de 2,5 milhões de matrizes suínas.
Esse cenário ainda pode mudar, segundo o diretor, por conta do crescente interesse das grandes agroindústrias brasileiras na aquisição de genética líquida de machos reprodutores. O mercado potencial pode crescer. “A depender das futuras demandas e da possível mudança de estratégia das agroindústrias, que passem a adotar mais genética líquida para machos terminadores, a Agroceres PIC pode revisar sua estratégia. No entanto, nossa estrutura já está robusta e madura o suficiente para atender até 50% do mercado brasileiro”, afirma Rosa.
Nas UDGs da Agroceres PIC, são disseminados os genes superiores da Granja Gênesis, maior polo de desenvolvimento genético da América Latina, inaugurado em 2023, em Paranavaí (PR), com investimento de mais de R$ 300 milhões. Ao todo, o ciclo de aportes da empresa passou de R$ 500 milhões em uma década.
A nova unidade em Mato Grosso do Sul tem capacidade para produzir 1,2 milhão de doses por ano, com alojamento de 800 reprodutores. Com isso, o potencial do grupo passará para 8,5 milhões de doses de sêmen por ano para inseminação, coletadas de mais de 6 mil machos de alto valor genético.
Em 2013, quando adotou esse modelo de negócios no Brasil, a Agroceres PIC produziu 200 mil doses. Em 2023, a comercialização chegou a 4,5 milhões de doses, crescimento de 2.000% no período.
O novo empreendimento conjuga alto padrão de laboratório, controle de climatização, filtragem de ar e sistema pneumático para transferência das doses coletadas do galpão dos machos para o laboratório. Instalada em localização estratégica, conta com isolamento, dupla quarentena e monitoramento clínico e sorológico diário dos animais, padrão seguido nas outras UDGs da companhia.
O uso da genética líquida promove ganhos de produtividade. Entre as vantagens, diz Rosa, estão a conveniência, a estabilidade no recebimento das doses e a qualidade superior do material genético.
A inauguração da unidade em Campo Grande mira também o crescente mercado suíno no Centro-Oeste. Criadores da região têm 342,8 mil matrizes suínas, mais de 16% do plantel nacional. Mato Grosso do Sul tem atraído o interesse de empresas líderes no mercado brasileiro, como Seara Alimentos e Aurora Coop, que se instalaram no Estado. “A nova UDG é uma resposta ao mercado regional em franca expansão”, pontua o executivo.
