Agricultura

Produtores mantêm cautela em meio à colheita da soja.

Fonte: Agrolink

No Rio Grande do Sul, a semeadura alcança cerca de 98%.

O mercado da soja no Sul e Centro-Oeste do país atravessa um período marcado por contrastes regionais entre avanço de colheita, desafios climáticos e baixa liquidez comercial. Levantamento da TF Agroeconômica aponta que, apesar de condições gerais ainda consideradas satisfatórias em parte das áreas, produtores seguem cautelosos diante dos preços e do ritmo irregular das atividades em campo.

No Rio Grande do Sul, a semeadura alcança cerca de 98% da área projetada, com 46% das lavouras em floração, em um cenário de monitoramento climático contínuo. A umidade recente do solo sustenta a produtividade média estimada e melhora as perspectivas em relação ao quadro crítico observado dois meses atrás. Pontualmente, regiões como São Borja começam a registrar preocupação com déficit hídrico, sem impacto relevante na média estadual. A comercialização segue lenta, com produtores evitando fixar preços e aguardando o desenvolvimento pleno da safra, mesmo com valores no porto em R$ 129,00 por saca e no interior em torno de R$ 123,00.

Em Santa Catarina, o ritmo de colheita ainda é incipiente, mas o estado se destaca pela eficiência logística e pela autossuficiência em armazenagem. Essa condição reduz a pressão de escoamento e garante maior poder de barganha, especialmente pela integração com a agroindústria de proteína animal. Os preços variam entre as praças, com Rio do Sul a R$ 116,00 e Palma Sola em R$ 115,00, enquanto no porto de São Francisco a saca é cotada a R$ 130,00.

O Paraná colheu cerca de 5% da área, abaixo do esperado devido às chuvas frequentes. Mesmo assim, 90% das lavouras seguem em boas condições, com expectativa de produção de 22 milhões de toneladas. A liquidez é baixa, refletida no recuo do indicador estadual, enquanto os preços no porto de Paranaguá chegam a R$ 128,00 por saca.

Em Mato Grosso do Sul, o clima seco preocupa, sobretudo na região sul, onde pouco mais da metade das áreas está em boas condições. Apenas 27% da safra foi comercializada, com preços entre R$ 109,00 e R$ 112,00, pressionando a rentabilidade. Já Mato Grosso lidera o avanço da colheita, com quase 25% da área colhida, mas enfrenta gargalos de armazenagem e preços abaixo de R$ 100,00 em algumas praças, reduzindo o poder de negociação dos produtores.

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