Agricultura

Preços recordes do café abrem espaço competitivo para Vietnã.

Fonte: Café Point

Maior exportador de canéfora, país asiático busca aproveitar alta de 20% nas vendas externas, mas enfrenta desafios de industrialização e falta de marcas fortes.

A disparada dos preços internacionais do café abriu uma janela de oportunidade para o Vietnã ampliar sua fatia no mercado global, avaliam representantes do setor em reportagem publicada na VN Express.

Em julho, o faturamento com exportações vietnamitas de café superou US$ 560 milhões, e, nos sete primeiros meses, houve uma alta nas vendas de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Ministério da Agricultura e Meio Ambiente. 

Para Nguyen Nam Hai, presidente da Associação de Café e Cacau do Vietnã (Vicofa), o país, maior produtor mundial de canéforas, combina preços elevados, demanda crescente e fornecimento estável – num momento em que o mercado está favorável. Mesmo assim, é preciso avançar na industrialização do produto – que representa entre 12 e 15% das exportações (torrado, solúvel e especial), contra índices de até 40% no Brasil e na Colômbia. 

Os desafios, segundo especialistas, são os altos aportes financeiros para aquisição de tecnologias relacionadas à produção de café solúvel, o que é impeditivo para empresas locais, e entraves de construção de marcas vietnamitas. Globalmente, diz a reportagem, o Vietnã é reconhecido pelo volume, mas não por marcas de prestígio, o que dificulta sua competitividade no segmento premium.

Apesar dos desafios, há sinais positivos. A Trung Nguyen Legend tem ampliado as exportações de solúvel para o Oriente Médio e o Leste Europeu; a Vinacafé mira o mercado Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático); e startups em Lam Dong e Gia Lai investem em cafés especiais para o Japão e a Coreia do Sul. Nesses casos, o grão é torrado no Vietnã e diretamente vendido, duplicando o preço em relação ao café verde e melhorando a renda dos produtores.

Para aproveitar o ciclo de preços altos, especialistas recomendam investimento em tecnologia de processamento, com apoio governamental via crédito; construção de uma marca nacional forte, a exemplo do arábica colombiano; e foco em mercados emergentes como Oriente Médio, sul da Ásia e Leste Europeu, onde a demanda cresce rapidamente.

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