Fonte: Revista Cafeicultura
Evento supera R$ 1 bilhão em negócios, reúne mais de 40 mil visitantes e consolida o Brasil como referência global em tecnologia e produção de café
A Fenicafé 2026 entrou para a história da cafeicultura irrigada. Realizada em Araguari (MG), no Triângulo Mineiro, a feira reuniu mais de 40 mil visitantes e movimentou mais de R$ 1 bilhão em negócios, consolidando-se como um dos principais eventos do agronegócio nacional.
Promovida pela Associação dos Cafeicultores de Araguari (ACA), em parceria com a Prefeitura e a Câmara Municipal de Araguari, a Fenicafé reafirmou seu papel como espaço estratégico de conexão entre ciência, tecnologia e produção, reunindo especialistas de todo o país para discutir os desafios e as oportunidades do setor. “Os resultados desta edição mostram a força da cafeicultura e a importância da Fenicafé como ambiente de negócios, inovação e desenvolvimento para todo o setor”, destaca o presidente da ACA, Fernando Sacoman.
Um retrato da cafeicultura brasileira
Um dos pontos altos da programação foi o painel sobre o panorama da cafeicultura nacional, que trouxe um verdadeiro raio-x das principais regiões produtoras do país.
Do Sul de Minas, vieram alertas sobre o avanço das mudanças climáticas, com secas mais intensas e temperaturas elevadas, exigindo adaptação dos produtores. Já na Mogiana, o cenário é de recuperação gradual após anos de estresse produtivo, com aumento da produtividade, mas ainda abaixo do potencial histórico.
No Espírito Santo, líder na produção de café canéfora, o crescimento segue consistente, impulsionado por tecnologia e expansão de áreas. Nas Montanhas capixabas, a safra é promissora, embora desafios como relevo acidentado e baixa mecanização ainda impactem a produção.
No Noroeste de Minas, a cafeicultura se consolida como um polo de alta produtividade, sustentado pela irrigação e pelo uso intensivo de tecnologia, com crescimento anual contínuo.
Água no centro da produtividade
A gestão da água foi um dos temas mais recorrentes ao longo da feira. Especialistas reforçaram que a irrigação deixou de ser apenas uma ferramenta complementar e passou a ser estratégica para a produção.
A discussão avançou para além da oferta hídrica, destacando a necessidade de planejamento e gestão integrada. A água, segundo os especialistas, deve ser tratada como insumo essencial — tão importante quanto fertilizantes e defensivos.
A relação entre água e produtividade também foi abordada sob o ponto de vista fisiológico, mostrando que a planta precisa perder água para absorver carbono e realizar a fotossíntese. Ou seja, a eficiência no uso da água está diretamente ligada ao potencial produtivo das lavouras.
Ciência aplicada e inovação no campo
A Fenicafé também evidenciou o papel da pesquisa científica na transformação da cafeicultura. O Simpósio Brasileiro de Pesquisa em Cafeicultura Irrigada destacou a importância de aproximar o conhecimento técnico da realidade do produtor.
Temas como manejo da irrigação, uso de sensores, automação e inteligência de dados reforçaram a tendência de uma agricultura cada vez mais precisa e eficiente.
Na área fitossanitária, novas descobertas vêm mudando a forma de conduzir as lavouras, especialmente na fase de formação, considerada decisiva para o desempenho produtivo ao longo dos anos.
Mercado global em transformação
O cenário internacional também esteve em pauta. Especialistas apontaram que o mercado global de café passa por uma fase de transição, com maior diversificação de origens e crescimento de novos países produtores.
Embora o Brasil mantenha sua liderança, outros players ganham espaço, exigindo dos produtores maior eficiência, qualidade e estratégia para se manterem competitivos.
Protagonismo e conexão
A programação da Fenicafé também abriu espaço para iniciativas que fortalecem a diversidade e o protagonismo no campo, como o Elas no Café, destacando o papel das mulheres na cafeicultura e promovendo troca de experiências e conhecimento.
Além disso, a feira reforçou seu papel como ambiente de conexões, reunindo produtores, empresas, pesquisadores e instituições em um espaço voltado ao desenvolvimento do setor. “A Fenicafé é construída por muitas mãos. Cada pessoa que participa, contribui para que o evento cresça e continue fazendo a diferença na vida de quem produz café”, ressalta a diretora superintendente do evento, Maria Cecília Araújo.
Rumo aos 30 anos
Com resultados expressivos e uma programação técnica de alto nível, a Fenicafé 2026 encerra sua edição consolidando-se como referência mundial em cafeicultura irrigada.
Agora, o olhar se volta para 2027, quando o evento celebrará seus 30 anos. A expectativa é de uma edição ainda mais robusta, com ampliação de conteúdo, inovação e oportunidades. “Estamos preparando uma edição histórica para celebrar os 30 anos da Fenicafé, com ainda mais tecnologia, conhecimento e oportunidades para o setor”, reforça Fernando Sacoman.
Mais do que uma feira, a Fenicafé se firma como um movimento contínuo de evolução da cafeicultura brasileira — conectando conhecimento, tecnologia e pessoas para produzir mais, melhor e de forma sustentável.
