AgriculturaCursos e PalestrasNotícias

Experiência em manejo de cafés sombreados é tema de pesquisa

Por meio de uma publicação completa, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) apresenta o trabalho de agricultores do Estado em cafezais sombreados e traz informações que podem auxiliar a ação técnica no campo, buscando preservar e aumentar os níveis de biodiversidade nas lavouras.

 

A publicação, intitulada “Cafezais sombreados: Experiências com o manejo do sistema no Estado do Espírito Santo”, foi coordenada pela bióloga e bolsista do Programa Consórcio Pesquisa Café pelo Incaper, Adriana Baldi, e pelo pesquisador do Incaper, Eduardo Ferreira Sales.

O material mostra a diferença da fauna de solo em sistema sombreado e em monocultivo e as experiências de manejo do sistema, dosando o sombreamento e mostrando algumas possibilidades de consórcio, dentre elas a evolução do café conilon (Coffea canefora) sombreado e associado com Jequitibá, com frutíferas, como mamoeiros (Carica papaya), abacateiros (Persea americana), coqueiros (Cocos nucifera), e associado ao feijão (Phaseolus vulgaris), pimenta-do-reino (Piper nigrum) e nim-indiano (Azadirachta indica A. Juss).

Atualmente, os cafezais no Espírito Santo ocupam 432.508 ha, isto é, 9,4% da superfície territorial do Estado, o que representa um produto de grande importância econômica para a geração de renda e emprego. Nesse contexto, Eduardo Sales lembrou que “no Estado, o hábito de manejar cafezais em monocultivo e a forte dependência de insumos externos está arraigado nos costumes e tem perdurado ao longo do tempo”.

Entretanto, para o pesquisador é fundamental que seja feito um “redesenho” dos agroecossistemas, a fim de recuperar os ciclos naturais, ecológicos e produtivos. Nesse sentido, a pesquisa aponta o cultivo de cafeeiros em Sistemas Agroflorestais (SAFs) como uma opção para as propriedades agrícolas.

“Trata-se de um sistema proveniente do rico e diversificado conhecimento das famílias rurais, entre elas, indígenas, camponesas, quilombolas, além dos agricultores familiares tradicionais, em sistemas que integram as árvores, arbustos, palmeiras com vários tipos de culturas e animais domésticos, proporcionando soberania e segurança alimentar local”, afirmou Sales.

“Deve-se ter um cuidado especial para manter o sistema produtivo, escolhendo quais as espécies mais adequadas para se consorciar, de forma a aumentar os níveis de biodiversidade dos sistemas, adequando-os à legislação ambiental”, lembrou o pesquisador.

Para o diretor-técnico do Incaper, Nilson Araujo Barbosa, os sistemas apresentados mostram-se cada vez mais atrativos para a sua disseminação no campo. “Essa dinâmica pode melhorar a autoconfiança dos técnicos e das famílias cafeicultoras, possibilitando maior segurança na tomada de decisão para o redesenho de cafezais mais sustentáveis”.

Clique aqui para baixar a publicação em PDF.

Fonte: Coordenação de Comunicação e Marketing do Incaper (Por Tatiana Toniato Caus)/CCCMG

Related posts

Mapa lança canal para denúncia anônima de venda casada no crédito agrícola

Fabrício Guimarães

Café teve alta histórica ano passado.

Fabrício Guimarães

Brasil recebe delegação argentina para intercâmbio técnico na cadeia do amendoim

Fabrício Guimarães

Deixe um comentário

Usamos cookies para melhorar sua experiência no site. Aceitar Leia Mais