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fevereiro 23, 2024
Agricultura

Burrinho mecânico: Equipamento facilita o manejo de cafezais em montanhas

POR JOSÉ BRAZ MATIELLO

O equipamento, denominado burrinho mecânico, trabalha em lavouras de café em terrenos inclinados, abrindo terraços ou pequenos sulcos para facilitar o trânsito e favorecer as operações de manejo dos cafezais de montanha. 

A cafeicultura é a principal atividade agrícola em terrenos de montanha, na Zona da Mata de Minas e no Sul do Espírito Santo. A forte declividade das áreas de lavouras dificulta a mecanização convencional, por isso elas são conduzidas, quase que exclusivamente, com tratos manuais, o que onera seus custos de produção pelo maior uso de mão-de-obra. 

Os terrenos declivosos dificultam o trânsito dos trabalhadores, assim diminuindo o rendimento nas operações de trato e colheita nos cafezais, e, ainda, favorecem o arrastamento do solo, dos adubos e da água pela erosão.

O burrinho mecânico é um conceito novo, desenvolvido para operar em terreno de topografia acidentada, pois é leve, de fácil manuseio e sua roda dentada sustenta e traciona o equipamento, mesmo em declive. Ele foi adaptado por uma pequena oficina regional, sendo composto por uma estrutura metálica, com rabiças de manuseio. Em cima sustenta um motor, de 2,5HP, de 2 T, de 52 cc a gasolina, o mesmo que aciona uma perfuratriz de solo. Embaixo vai uma roda, aproveitada da traseira de motocicleta, com dentes soldados, para sua melhor fixação e tração no terreno. Um sistema de correntes transfere e, pela redução nas engrenagens, aumenta a força de tração na roda inferior. Atrás vai, acoplado, um implemento com lâmina tipo arado de aiveca, reversível, podendo, ainda, por troca, colocar um implemento tipo sulcador. No deslocamento do burrinho mecânico, ele vai cortando e deslocando a terra, no sentido do declive. 

A operação é feita em velocidade de cerca de 3 km por hora. Na primeira passada, o equipamento faz o primeiro risco e, na segunda e numa terceira, vai alargando a área aplainada, formando um micro-terraço ao longo da rua do cafezal. Outro trabalho, com um sulcador adaptado, pode fazer pequeno sulco próximo da linha de cafeeiros, do lado de cima do declive, para facilitar a retenção de adubos e da água junto aos cafeeiros. O gasto de combustível é pequeno, cerca de 0,5 litro por hora. A operação é facilitada em terrenos limpos, sem muito cisco de mato, que acaba atrapalhando por entupir a roda de tração. O rendimento normal, fazendo três passadas, é de terraceamento de 1 ha de lavoura em cerca de 3-4 horas de trabalho. O equipamento tem custo aproximado de R$ 4 mil e pode ser adquirido, existindo, também, prestação de serviços. 

Em teste efetuado em lavoura de café, com declividade de cerca de 50%, na Zona da Mata de Minas, em Mutum, verificou-se facilidade operacional e abertura de terracinho com boa largura, com cerca de 50 cm, podendo ser alargado por mais passadas. Também foi testada sua capacidade de sulcamento e mistura de adubos, sobre área previamente perfurada com retroescavadeira e parcialmente entupida pelo retorno da terra. 

Conclui-se que: o burrinho mecânico é de operação viável em terrenos declivosos, podendo fazer terracinhos ou sulcos que facilitam os tratos da lavoura de café de montanha e auxilia no controle da erosão.

Aspecto geral do burrinho mecânico sendo abastecido de gasolina, em teste realizado em cafezal de montanha, em Mutum (MG). Pode-se observar os componentes, sendo: motor de dois tempos (em cima, na frente), roda dentada abaixo, sistema de transmissão por correntes e alças para segurar e direcionar o equipamento (esq.). Na foto à direita, pode-se verificar a estrutura ou chassi que sustenta o motor e a roda dentada, esta com aproveitamento de uma roda de motocicleta

Trabalhando com o burrinho mecânico em cafezal em terreno declivoso, na primeira passada (esq.) e na segunda passada (dir.), alargando o terracinho. Mutum (MG), julho/23

Detalhe da lâmina, tipo arado, que corta o terreno e joga a terra de lado e da roda dentada, que traciona o equipamento (esq.) e como fica um terracinho no terreno, após 2 a 3 passadas do equipamento (dir.)

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