COP 30 vai reforçar compromisso do Brasil em liderar revolução climática global, afirma estudo
A COP 30, que será realizada no Brasil em 2025, deve atrair olhares do mundo inteiro para o que o Brasil tem feito para mitigar as mudanças climáticas, e o país tem força para liderar ações sustentáveis mais contundentes utilizando tecnologia e inteligência artificial. É o que indica o estudo Seizing Brazil’s Climate Potencial, do Boston Consulting Group (BCG).
O país é um “laboratório vivo” para tornar a agricultura sustentável uma realidade em todo o mundo, afirmou Hamid Maher, diretor-executivo do BCG em Casablanca, em entrevista à Globo Rural. “No Brasil, o setor privado é muito poderoso e pode testar ações em grande escala”, destaca Maher, que integra a liderança global de clima e sustentabilidade da instituição.
Para o executivo, o país vai se tornar ainda mais referência após a conferência do clima. O evento deve ter o efeito de posicionar o Brasil como líder no desenvolvimento de sistemas alimentares seguros e inovação tecnológica para gerenciar a transição climática. “A comunidade global de sistemas alimentares está de olho no que o Brasil fará”, afirma Maher.
Segundo o estudo, o país tem potencial para atrair até US$ 3 trilhões em investimentos até 2050 e se tornar um centro global de soluções climáticas. Além disso, as metas globais de neutralidade climática dependem do Brasil, que é o 5º maior emissor de gases de efeito estufa (GEE), com cerca de 70% proveniente do setor de Agricultura, Florestas e Uso do Solo (Afolu).
A pesquisa do BCG destaca também as vastas áreas de terras degradadas no Brasil que permitem a expansão sustentável de cultivos. Isso pode apoiar a produção de combustíveis avançados como o SAF (combustível de aviação sustentável) e gás natural renovável (biometano), por exemplo.
Ligados às mudanças no clima, os desastres climáticos, cada vez mais frequentes e extremos, também exigem mudanças de comportamento. No curto prazo, a tecnologia já existente, baseada na coleta de dados por meio de satélites, drones e sensores, pode alimentar sistemas de alerta antecipados de possíveis desastres naturais como secas ou chuvas severas, afirma o executivo marroquino. “Isso dá ao produtor autonomia para tomar decisões sobre o que fazer ou não dentro da sua fazenda”.
Por outro lado, Maher enxerga ainda dificuldade na hora de agir. “A camada que falta hoje é a transição entre ter a informação e tomar uma decisão em cima dela”.
Nos últimos cinco anos, a agricultura brasileira tem assumido o protagonismo na adoção de tecnologias, avalia Lucas Moino, sócio brasileiro do BCG e parte da liderança global de agricultura da consultoria. Por muito tempo, a Europa e os Estados Unidos importavam tecnologia para o Brasil, porque “essencialmente não tínhamos nada, então qualquer coisa funcionaria”.
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Agora, na avaliação de Moino, as multinacionais estão adaptando sua produção de tecnologia para o Brasil, porque o país está no mesmo nível, ou até superior, na adoção tecnológica em relação à Europa e aos Estados Unidos. “Se eles querem se manter competitivos aqui, precisam desenvolver tecnologias que sejam adequadas às nossas formas de produção”.
Recentemente, gigantes multinacionais anunciaram grandes investimentos para desenvolver produtos que atendam ao nosso mercado, como a Syngenta no mercado de insumos, e a John Deere, no mercado de máquinas agrícolas, exemplifica o executivo.
Moino acredita que o país é um dos que lidera e conduz a produção tecnológica global na agricultura sem abrir mão da sustentabilidade. “Isso não acontece apenas porque somos melhores, mas porque nossa posição, nossa agricultura tropical, nos permite realizar duas a três colheitas todos os anos”.
