Agricultura

Boletim Carvalhaes: Café brasileiro na mira do tarifaço de Trump.

Fonte: Café Point

Entidades brasileiras e americanas articulam exceção para o grão, enquanto restaurantes nos EUA alertam para impacto no custo e na oferta do produto.

O anúncio feito pela Casa Branca na última quarta (30), de que o café está na listagem dos produtos exportados pelo Brasil para os EUA que serão taxados em 50%, surpreendeu os operadores do mercado, que trabalhavam com a hipótese de que Trump isentaria o grão do tarifaço, já que o produto não é cultivado pelos estadunidenses. 

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o Conselho Nacional do Café (CNC), a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e demais entidades do setor persistem nas tratativas com seus pares nos EUA, como a National Coffee Association (NCA), com o intuito de que o café seja incluído na lista de exceções do governo norte-americano.

A associação que representa os restaurantes americanos enviou nesta semana uma carta ao governo dos Estados Unidos alertando sobre o impacto do tarifaço imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, sobre alimentos do Brasil e da União Europeia como café, carne bovina, vinhos e destilados. O setor pede isenção dessas tarifas para não afetar o custo e a disponibilidade de produtos nos estabelecimentos.

“Esperamos que o bom senso volte a imperar no longo, bicentenário, e, até agora, sólido relacionamento nos negócios de café entre Brasil e EUA”, escreve o Boletim.

A colheita da nova safra brasileira 2025/2026 avança rapidamente e já ultrapassa os 80%. Os números das duas colheitas (arábica e canéfora) confirmam as previsões de agrônomos e cafeicultores: uma safra maior para o canéfora e menor para o arábica, na comparação com 2024. “O benefício da nova safra de arábica preocupa bastante, os números apontam para uma quebra significativa na renda, acima da usual”, destaca o informativo.

Contratos de arábica

Os contratos de arábica com vencimento em setembro próximo na ICE Futures US, em Nova York, oscilaram 1.340 pontos entre a máxima e a mínima. Bateram em US$ 2,9705 na máxima do dia, em alta de 125 pontos, e fecharam valendo US$ 2,8420, com perdas de 1.160 pontos. Na quinta (31), subiram 240 pontos e, na quarta (30), caíram 310 pontos. Em 2025, até o fechamento desta sexta (1), estes contratos para setembro próximo somam queda de 1.780 pontos.

Contratos de robusta

Na ICE Europe, os contratos de robusta para setembro próximo bateram, na máxima do dia, em US$ 3.461 por tonelada, em alta de US$ 60. Fecharam o pregão valendo US$ 3.330, com queda de US$ 71. Na quinta (31), caíram US$ 10 e, na quarta (30), subiram US$ 66. Em 2025, desde o dia 28 de janeiro até esta sexta (1), os contratos de robusta para setembro próximo acumularam queda de US$ 2.014 por tonelada.

Contratos futuros em R$

Em reais por saca, os contratos para setembro próximo na ICE Futures US encerraram o dia valendo R$ 2.084,96. Terminaram a sexta passada (25) valendo R$ 2.189,20 e a sexta anterior à passada (18), a R$ 2.244,15.

Mercado físico

As fortes e repentinas oscilações nas bolsas de Nova York e Londres continuam dificultando o fechamento de negócios no mercado físico brasileiro, com poucos produtores dispostos a fechar negócios nas bases de preços oferecidas pelos compradores. Há interesse comprador para todos os padrões de café. As vendas de conilon estão mais avançadas, com volume maior de negócios fechados.

Embarques e certificados de origem

Até dia 31, os embarques de julho estavam em 1.862.789 sacas de arábica, 455.866 sacas de canéfora, mais 234.669 sacas de solúvel, totalizando 2.553.324 sacas embarcadas, contra 2.501.452 sacas no mesmo dia de junho. 

Até o mesmo dia 31, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em julho totalizavam 2.894.304 sacas, contra 2.575.299 sacas no mesmo dia do mês anterior.

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