20.8 C
Franca
abril 29, 2026
Notícias

Dia Mundial do Solo alerta para boas práticas de conservação

Data celebrada em 5 de dezembro destaca a importância desse recurso natural

A forma como o solo é utilizado influencia diretamente na sua qualidade, que pode ser enriquecida ou degradada de acordo com as práticas adotadas. E a sua preservação está ligada a questões vitais para a humanidade. “A saúde do solo é fundamental tanto para a segurança alimentar quanto para a sustentabilidade ambiental”, avalia o engenheiro agrônomo Oromar João Bertol, doutor em Engenharia Florestal e diretor do Núcleo Estadual Paraná da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (Nepar-SBCS).

Há 10 anos, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu a Década Internacional do Solo – 2015 a 2024 -, enquanto a Sociedade Internacional de Ciência do Solo designou, em 2002, o dia 5 de dezembro como o Dia Mundial do Solo.

Essas iniciativas visam mobilizar a sociedade para a importância dos solos agrícolas e urbanos, considerando que cerca de 33% das terras do planeta estão degradadas ou em processo de degradação devido a fatores como erosão, compactação e poluição química. Além disso, Bertol adverte que a interdependência entre solo e água e a perda crescente da qualidade de ambos os recursos impactam diretamente a segurança alimentar e hídrica, ameaçando o futuro da sociedade e do planeta.

A biodiversidade do solo também desempenha um papel importante na regulação de várias funções, como a ciclagem de nutrientes e o armazenamento de carbono, responsável por reduzir gases de efeito estufa e mitigar os efeitos das mudanças climáticas. O agrônomo destaca que aumentar os estoques de carbono no solo contribui para a melhoria da produção agrícola, do abastecimento de água e da biodiversidade.

Técnicas sustentáveis

Segundo o Nepar, muitos solos perdem, ao longo do tempo, parte de sua capacidade natural de armazenar água e de reter carbono, em razão da compactação e da erosão hídrica. “No entanto, tanto os solos quanto os recursos hídricos degradados podem ser recuperados com técnicas já conhecidas”, afirma Bertol.

Solo degragado e erodido — Foto: Claudio Capeche / Embrapa
Solo degragado e erodido — Foto: Claudio Capeche / Embrapa

O professor Anderson Sandro da Rocha, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Câmpus Santa Helena, cita algumas técnicas sustentáveis para reverter a degradação e melhorar a saúde do solo, como terraceamento correto, plantio direto, conservação de estradas rurais, controle de erosão e recuperação de nascentes.

“O terraceamento, por exemplo, controla a erosão e reduz a perda de solo superficial. O plantio direto com rotação de culturas e o uso de plantas de cobertura entre safras também têm sido incentivados, bem como as plantas de cobertura que aumentam a matéria orgânica, promovendo a fertilidade do solo e melhorando a produtividade agrícola”, explica.

Por outro lado, a degradação do solo, com perda de fertilidade, matéria orgânica e nutrientes, impacta negativamente na produtividade. “Solos degradados demandam quantidades crescentes de insumos, como adubos, elevando os custos de produção e podendo resultar em menor produtividade”, alerta Anderson.

A especialista em biotecnologia microbiana e saúde do solo, professora Glacy Jaqueline da Silva, da Universidade Paranaense (Unipar), lembra que uma das principais práticas para recuperação do solo degradado é o uso de adubação orgânica, como esterco, cama de frango, composto e restos de culturas, que adicionam nutrientes e matéria orgânica diretamente no solo. “Esses materiais orgânicos se decompõem lentamente, alimentando os microrganismos e liberando nutrientes de forma gradual para as plantas”, enfatiza.

Ela acrescenta que o solo é o ecossistema mais biodiverso do planeta: “quanto maior a biodiversidade do solo, maior será a variedade de espécies com habilidades semelhantes presentes”, explica. Essa diversidade torna-se essencial em eventos extremos, como ondas de calor, pois, embora muitas espécies possam não resistir a essas altas temperaturas, outras sobrevivem e continuam desempenhando funções vitais, alimentando e protegendo as plantas.

Ela comenta ainda que a integração de sistemas agroflorestais é outra técnica que melhora a saúde do solo ao combinar árvores, arbustos e plantas agrícolas no mesmo espaço. Com um bom planejamento, esse sistema protege o solo da erosão, aumenta a matéria orgânica, retém água, fortalece a biodiversidade e torna a produção agrícola mais sustentável. “As raízes das árvores criam uma rede subterrânea que facilita a absorção de água e nutrientes pelas plantas ao redor”, explica.

Conscientização

Para o diretor do Nepar é necessário conscientizar a população sobre o valor do solo e da água, e sobre a dependência das pessoas e da economia em relação a esses recursos. “É importante lembrar que o solo e a água não devem ser considerados recursos renováveis, especialmente quando mal utilizados. A água, apesar de ser constantemente renovada pelo ciclo hidrológico, é distribuída de forma desigual, e sua escassez pode ocorrer tanto pela falta de disponibilidade quanto pela perda de qualidade”, resume Bertol.

O maior desafio, hoje, na opinião do professor Anderson, é entender que cada tipo de solo possui características e fragilidades únicas. Os solos do tipo Latossolo e Nitossolo, que são profundos e argilosos, têm um grande potencial para a agricultura. “Podemos melhorar ainda mais a qualidade física e química desses solos para otimizar o desenvolvimento agrícola”, complementa Anderson.

No Noroeste do Paraná, por exemplo, há solos com até 80% de areia. No entanto, é possível produzir nessas áreas com técnicas corretas, como terraceamento, plantio direto, rotação de culturas e controle de erosão. “A integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) também funciona bem para solos arenosos”, afirma.

Solo na Escola

O projeto Solo na Escola, coordenado pela professora Jully Gabriela Retzlaf, da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) – Campus Cornélio Procópio, promove a educação em solos, assegurando que crianças e adultos tenham uma visão ampliada sobre o solo e reconheçam a importância desse elemento ambiental para a sustentabilidade e a vida no planeta.

Alunos do Projeto Solo na Escola — Foto: UENP/Divulgação
Alunos do Projeto Solo na Escola — Foto: UENP/Divulgação

Vinculado ao curso de Licenciatura em Geografia da UENP, desde 2019, o projeto busca ampliar a compreensão sobre o solo como um recurso ambiental essencial. Com o público-alvo formado por professores, estudantes de Educação Básica e Superior e a comunidade em geral, a equipe é composta por docentes da UENP e monitores voluntários do curso de Geografia.

“O projeto de extensão abrange várias atividades em escolas, museus e feiras. Uma delas é visitar escolas para apresentar o solo às crianças, levando materiais didáticos, experimentos e maquetes para que possam manusear e explorar”, diz Jully.

Outra ação do projeto é a exposição didática de Solos no campus, espaço interativo de ciência que inclui amostras de solo, experimentos, rochas, minerais, fósseis e uma vermicomposteira. “Ao compreender a importância do solo, as crianças passam a ver esse elemento não como sujeira, mas como um componente ambiental fundamental”, diz a coordenadora.


Related posts

Minas Gerais exporta primeiro lote de café sob as novas regras da União Europeia

Fabrício Guimarães

Anvisa aprova uso de cannabis no tratamento de doenças em animais

Fabrício Guimarães

Cafeicultor tem que se profissionalizar, garante especialista

Fabrício Guimarães

Deixe um comentário

Usamos cookies para melhorar sua experiência no site. Aceitar Leia Mais