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maio 4, 2026
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Torrefadoras avaliam usar mais conilon nos blends para evitar disparada do café

Diferença entre as cotações do arábica e do conilon tende a ficar maior com colheita no Brasil em abril

O aumento na oferta global de cafés canéfora (robusta e conilon), com a evolução da colheita das safras do Vietnã e da Indonésia, pode ajudar a desacelerar a alta dos preços da bebida no Brasil, um cenário que tem tirado o sono do governo nos últimos meses. A razão é que o avanço atual da colheita nesses países do sudeste da Ásia fez crescer a diferença entre as cotações dos canéforas e do arábica. Assim, a tendência é que as torrefadoras voltem a colocar mais conilon nos blends do café, o que pode segurar os preços.

Historicamente, as torrefadoras brasileiras usam em torno de 60% de café arábica no blend e o restante de conilon para encorpar a bebida. Em 2024, quando o preço do conilon chegou a ficar mais alto que do arábica, esse mix mudou para uma média de 80% de arábica e 20% de conilon.

“As indústrias fazem uma reavaliação dos seus blends, para que os preços deixem de subir tanto para o consumidor. Neste ano podemos voltar a ver o blend de 60% de arábica e 40% de conilon”, afirma Vicente Zotti, sócio-diretor da Pine Agronegócios. A perspectiva de aumento da produção brasileira de conilon este ano e de queda na produção do arábica reforça a tendência de mudança nos blends.

Guilherme Morya, analista de café do Rabobank, observa que nos últimos 15 anos o preço médio do café arábica ficou 42% acima do robusta no mercado internacional. Uma diferença de 30% já estimula as indústrias a aumentarem o uso do robusta nos blends.

Em setembro de 2024, o robusta ficou mais caro que o arábica devido à restrição na oferta global, em função de problemas climáticos. A partir de novembro, com a colheita no Vietnã e na Indonésia, os preços do robusta começaram a perder força. Em outubro de 2024, a diferença entre os preços do arábica e do robusta era de 7%. Hoje, está em 16%, com tendência de aumentar devido à alta do arábica.

“A diferença de preço vai voltar a estimular a preferência das torrefadoras pelo conilon. A preocupação agora é com o preço do arábica, que dispara desde novembro. O robusta sobe menos”, diz Morya.

CEdgard Bressani, especialista e CEO da Latitudes Brazilian Coffees, considera o cenário de preços ainda pouco previsível, devido às incertezas em relação à safra de arábica brasileiro. “O Brasil consome mais de 20 milhões de sacas por ano. Dependendo da queda na produção do arábica, a indústria vai precisar usar o canéfora para fazer os blends, independentemente do preço. A questão é que os preços estão superaltos e as indústrias tentam agora sobreviver com preços que o bolso do consumidor consiga absorver”, diz Bressani.

Cenário de preços

No Brasil, a expectativa é de alívio nos preços do conilon com a colheita que começa em abril. Por enquanto, a pressão é de alta. A JDE Peet’s, dona de marcas como Pilão e L’Or, anunciou em dezembro aumento de 30% nos preços em 2025, na média. A 3Corações reajustou os preços em 11% em janeiro, após alta de 10% em dezembro. A Melitta elevou os preços em 25%.

Morya estima que os preços no varejo subirão de 10% a 15% até fevereiro. Em 2024, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 39,6% no preço do café moído.

Luciano Inácio, vice-presidente de administração e finanças da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), diz que as indústrias não vão se arriscar a desagradar o consumidor mudando o blend. “A indústria só vai fazer mudança se houver um preço que justifique. E se houver mudança vai ser gradativa para o consumidor não rejeitar a bebida”, afirma Inácio.

Na avaliação de Márcio Ferreira, presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), os preços atuais ainda não estimulam as indústrias a ampliar o uso do conilon, mas há expectativa de melhora com a colheita a partir de abril. “É natural que a indústria volte a incrementar a participação do robusta. Mesmo com problemas de safra, Vietnã e Indonésia estão produzindo mais café robusta. Já a produção mundial do arábica vai ter queda. A indústria vai precisar de mais robusta para atender a demanda”, afirma Ferreira.

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