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maio 29, 2024
Gestão RuralPecuária

Carrapato do boi: alternativas de controle

A saúde animal se destaca como um dos principais fatores de influência direta na produtividade e rentabilidade dos sistemas leiteiros e, quando se engloba nesse contexto o controle de ecto e endoparasitas, este assunto ganha notoriedade ainda mais ampla, pois boa parte dos produtos utilizados deixam resíduos no leite (Silva et al., 2014).

O carrapato detém grande importância na pecuária mundial devido ao impacto causado na produção de carne, leite e couro (BRITO et al., 2005), e é o principal parasita externo dos bovinos de leite, que o adquirem quando caminham por pastagem infestada e as larvas sobem no animal fixando-se, iniciando assim a fase parasitária (Silva et al., 2011).

As infestações por carrapatos podem reduzir até 90 litros de leite numa lactação de 300 dias de uma vaca (Grisi et al., 2014), e quando calculado o prejuízo financeiro com base no preço médio do leite a R$ 1,40 (CEPEA, 2019), a perda por vaca seria de R$ 126,00. Em um rebanho com 100 vacas em lactação e sem um bom controle de carrapato, em um ano o prejuízo do produtor poderia se aproximar de R$ 12.600,00.

Os níveis das infestações por carrapatos estão diretamente relacionados à taxa de lotação, sendo que quanto maior a taxa de lotação, maior é o desafio. O surgimento de novas variedades e espécies de gramíneas para pastejo permitiu maior lotação animal, porém facilitou a multiplicação, sobrevivência e o desenvolvimento do carrapato (Furlong, 1992). Sendo assim, qualquer dificuldade que a planta possa exercer sobre a viabilidade das larvas do carrapato é uma alternativa para minimizar o acesso dos mesmos aos hospedeiros (Andreotti, 2010).

A planta pode exercer o mecanismo de antibiose, que é o efeito da planta sobre o parasita impedindo-o de alcançar seu hospedeiro, ou antixenose, que funciona como um repelente, afastando o parasita (Farias et al., 1986) ou quando a planta é menos utilizada pelo aracnídeo do que outra em igualdade de condições, tanto para alimentação, oviposição ou abrigo. É considerado que esse termo se refere ao comportamento do aracnídeo em relação à planta (Lara, 1991).

É fato comprovado que algumas espécies forrageiras interferem na dinâmica de migração das larvas de carrapato R. microplus, por repelirem ou provocarem a morte dessas larvas, elaborando substâncias defensivas (antibiose), que são produzidas pelas estruturas denominadas tricomas glandulares, presentes em algumas plantas (Oliveira, 2008).

O capim gordura (Melinis menutiflora) há muito tempo já foi estudado como controlador de carrapatos e a secreção de óleo nos pelos glandulares da forrageira foi indicado como fator repelente das larvas. Bem como as forrageiras Stylosantes viscosa e S. scabra, que apresentaram seu efeito de antibiose sobre as larvas por provocarem a morte ou impedir que estas passassem ao hospedeiro através de suas pilosidades e secreções (Farias et al., 1986).

As características de Urochloa brizantha (syn. Brachiaria) foram estudadas quanto à possibilidade de causarem algum efeito adverso sobre larvas de carrapato, ficando elucidados dois tipos de pilosidade, glandular e aglandular, na bainha da folha dessa espécie, e a ação secretora de macropelos (parte glandular) o que garantiu um grande número de larvas mortas presas a esta estrutura (Barros, 1989).

Furlong e Sales (2007) comentam que a sobrevivência das larvas de  R. microplus pode estar relacionada com o microclima que algumas forrageiras formam, em função de seu crescimento e desenvolvimento e Oliveira (2008) demonstra que, mesmo com a observação do potencial de controle do carrapato exercido por algumas forrageiras, esta eficiência pode se correlacionar também com a idade da planta.

O carrapato R. microplus, enquanto está em sua fase de vida livre, pode ser controlado por meio de diversas alternativas, entre elas a rotação de pastagens e o cultivo de espécies forrageiras que apresentem características específicas, que influenciem na sobrevivência das larvas, resultando na sua repelência ou morte nas pastagens (Branco et al., 2008).

O controle químico é a alternativa mais comumente utilizada, no entanto, há uma preocupação com a rapidez no aparecimento de resistência desenvolvida pelos carrapatos aos produtos utilizados para seu controle. Mendes et al (2008) comentam que o estabelecimento da resistência não ocorre apenas devido ao uso constante do carrapaticida, mas também ao manejo incorreto empregado para o controle do carrapato.

No contexto do controle químico, existem também os chamados controles estratégicos, que consistem no tratamento dos animais administrando os produtos durante o período mais crítico, e os controles táticos, que é incluído durante o controle estratégico e baseia-se no tratamento dos animais visualmente infestados.

Em 1998, Furlong já demonstrava que o conhecimento de parâmetros biológicos dos estádios da fase de vida livre e suas interrelações com os fatores climáticos a que são submetidos é fundamental para programar o controle estratégico do R. microplus. Esse mesmo autor comentou que a sobrevivência de larvas de R. microplus nas pastagens é menor no verão e a rotação de pastagens como alternativa para descontaminá-la deve ser feita com intervalos de descanso superiores a 45 dias, a fim de provocar a morte dessas larvas por inanição.

Nesse sentido, Andreotti (2010) recomenda a integralização de métodos químicos e/ou biológicos.  Furlong e Sales (2007) salientam que os carrapatos presentes nos animais representam a menor parte da população em relação aos que estão na pastagem e Gomes (1998) comenta que é necessário fazer a escolha e o uso correto do produto realizando mudança deste quando necessário, para evitar o desenvolvimento de populações resistentes ao princípio ativo.

A seleção de animais resistentes e o descarte de suscetíveis também são eficientes para diminuir a infestação das pastagens (Furlong, 2005), as raças europeias, são as mais parasitadas e mais sensíveis (Marques, 2006). “O gado europeu produz maior quantidade de teleóginas (fêmea gravídica ingurgitada de sangue) e de maior tamanho, colocando mais ovos do que as provenientes de gado zebuíno (Veríssimo, 2015).”

A erradicação do carrapato em países de clima tropical é algo muito difícil, portanto, deve-se buscar a convivência com o parasito de forma economicamente viável; sendo assim é recomendado associar métodos estratégicos e táticos de controles, raças e/ou cruzamentos mais resistentes e também o correto manejo das pastagens, bem como forrageiras que possuam antibiose e antixenose às larvas, para compor um manejo mais eficaz de controle com vistas também ao meio ambiente.

Fonte: Destaque Rural

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