AgriculturaAgroindustriaGestão RuralPolítica Rural

Custo alto inibe lançamento de novas moléculas de agrotóxicos para hortifruti

De acordo com presidente da Embrapa, Celso Moretti, valor de investimento e baixo retorno financeiro dificultam registro de produtos para culturas menores

A relação custo-benefício é um dos maiores entraves ao desenvolvimento de novas moléculas de agrotóxicos voltados à hortifruticultura e outras cadeias menores, que produzem alguns dos alimentos mais consumidos no cotidiano das pessoas. O quadro, segundo os pesquisadores, muitas vezes expõe as culturas a riscos diversos e foi debatido em evento que reuniu cerca de 90 pesquisadores do Brasil e do exterior, em Uberlândia (MG), na terça-feira (12).

“Três bilhões de pessoas têm uma dieta que é insuficiente ou inadequada para suprir as necessidades nutricionais, algo que frutas e vegetais atenderiam. O mundo todo está preocupado com o aumento do consumo de frutas e hortaliças, mas para fazer isso nós temos que dar segurança tecnológica e jurídica para nossos produtores. E essa segurança jurídica passa por ter moléculas de pesticidas que sejam registradas para as minor crops”, disse o presidente da Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa), Celso Moretti.

Ele ainda lembra que o Ministério da Agricultura (Mapa) publicou, em 2010, uma Instrução Normativa que permite a extensão de uso de agrotóxicos de outras culturas nas minor crops. Para ele, essa medida ajuda, uma vez que para realizar o registro de molécula para determinada cadeia produtiva é calculado o custo do registro, o tempo para efetivá-lo e o potencial de retorno financeiro.

“Se a relação custo-benefício não é favorável, eles não registram. Essa instrução normativa veio ajudar, mas ela não resolve totalmente a situação. A gente precisaria sentar com os diferentes elos do setor produtivo para ver como contornar essa situação, onde a gente tem uma demanda real de uma cadeia produtiva, mas em função do custo e do payback que vai ter depois, não vale a pena se registrar”, diz o presidente da Embrapa.

Líder da divisão agrícola da Bayer, uma das maiores empresas detentora de patentes de agrotóxicos no mundo, Gerhard Bohne, reforça a análise de Moretti. “Há uma grande limitação do custo de desenvolvimento de tecnologias e grandes barreiras de registro. O sistema de registro no Brasil, com Anvisa, Ibama, Mapa, é um dos mais severos do mundo, com alto custo e alta demora. Com todas as exigências legais, que nós somos a favor, ficou muito caro trazer inovações para essas culturas”, ele explica.

Fonte; Globo Rural

Related posts

Em semana marcada por temor no financeiro, café encerra acima dos 220 cents/lbp em NY

Fabrício Guimarães

Entrega de fertilizantes no Brasil caiu 7% em agosto

Fabrício Guimarães

Distribuidoras do Grupo CPFL alertam para necessidade de recadastramento de clientes rurais

Fabrício Guimarães

Deixe um comentário

Usamos cookies para melhorar sua experiência no site. Aceitar Leia Mais