Fonte: Agrolink
O tema esteve no centro do 3º Fórum de Bioinsumos.
A expansão dos bioinsumos no Brasil traz um desafio para a consolidação do setor: criar regras claras, específicas e baseadas em ciência. O avanço dessas tecnologias amplia oportunidades para a agricultura, mas reforça a necessidade de segurança jurídica para sustentar investimentos, inovação e desenvolvimento de mercado.
O tema esteve no centro do 3º Fórum de Bioinsumos, realizado em São Paulo. Alberto Pfeifer, do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da USP, e Roberto Levrero, presidente da Abisolo, relacionaram a estabilidade regulatória à soberania tecnológica. A avaliação é que o Brasil já possui conhecimento em insumos biológicos vivos e tecnologias adaptadas à agricultura tropical, mas precisa de regulação clara para transformar essa capacidade em maior autonomia estratégica.
O debate destacou a gestão de dados científicos e tecnológicos e a participação brasileira em referências regulatórias internacionais. No painel final, representantes da CropLife Brasil, Embrapa Agrobiologia e GAAS defenderam que os produtos biológicos sejam tratados como categoria distinta de defensivos químicos e fertilizantes, com normas próprias apoiadas em evidências científicas, segurança biológica e desenvolvimento de mercado.
Roberto Rodrigues alertou para riscos institucionais e regulatórios no agronegócio e defendeu maior clareza nas normas. Fábio Calcini, da FGV, acrescentou que preservar benefícios tributários para os bioinsumos na reforma tributária e evitar modelos excessivamente burocráticos será importante para manter investimentos e inovação.
A principal preocupação apontada no encontro é que o mercado cresce rapidamente, enquanto sua consolidação dependerá da capacidade de a regulação acompanhar a evolução tecnológica sem criar entraves ao setor.
