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julho 15, 2026
Gestão Rural

Preço do café já subiu quase 40% no mundo e alta deve durar pelo menos quatro anos, diz ONU.

Fonte: Revista Cafeicultura

Relatório publicado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), aponta que valores podem continuar crescendo se as principais regiões produtoras sofrerem novas reduções significativas na oferta.

O preço mundial do café subiu 38,8% em 2024 na comparação com a média do ano anterior, apontou relatório publicado nesta sexta-feira (14) pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Essa alta é causada, principalmente, pelos problemas climáticos, que prejudicam a oferta e corroem os estoques globais.

O preço do café arábica, por exemplo, se elevou em 70% na bolsa Intercontinental Exchange (ICE) no ano passado e mais de 20% até agora neste ano.

Os valores devem se manter altos. Segundo o relatório, apesar de o encarecimento levar cerca de um ano para chegar aos consumidores ao redor do globo, o impacto deve durar pelo menos quatro anos.

De acordo com a FAO, cerca de 80% desses aumentos de preços serão repassados aos consumidores ao longo de 11 meses na União Europeia, enquanto nos Estados Unidos 80% dos aumentos serão repassados ao longo de 8 meses.

No Brasil, a inflação do café foi de 66,18% no acumulado dos 12 meses em fevereiro, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado na terça (12).

É provável que os aumentos de preços para os consumidores sejam muito menores do que o aumento do custo dos grãos crus, pois há outros fatores que contribuem para os preços do café no varejo, como transporte, torrefação, embalagem, certificação e margens de lucro no varejo.

De acordo com o relatório da FAO, um aumento de 1% no custo do grão cru na UE se traduz em um aumento de 0,24% no preço de varejo após 19 meses, “com o choque persistindo por vários anos”.

Em termos de países produtores, o órgão da ONU disse que os preços para os produtores de café em grão subiram 17,8% na Etiópia, 12,3% no Quênia, 13,6% no Brasil e 11,9% na Colômbia — muito longe dos ganhos observados em mercados negociados internacionalmente, como a ICE.

Para a FAO, os preços de exportação do café podem aumentar ainda mais em 2025, se as principais regiões produtoras sofrerem novas reduções significativas na oferta.

O que deixou o café mais caro?

Alguns fatores que prejudicaram a produção e elevaram os preços do café, segundo especialistas entrevistados pelo g1, foram:

Calor e seca: no ano passado, o clima gerou um estresse na planta, que, para sobreviver, teve que abortar os frutos, ou seja, impedir o seu desenvolvimento. Mas problemas, como geadas e ondas de calor, vêm acontecendo há 4 anos. No período, a indústria teve um aumento de custos de 224% com matéria-prima e, para os consumidores, o café ficou 110% mais caro.

  • Maior custo de logística: as guerras no Oriente Médio encareceram o embarque do café nas vendas internacionais, elevando também o preço dos contêineres, principal meio para a exportação.
  • Aumento do consumo: o café é a segunda bebida mais consumida no Brasil e no mundo, atrás apenas da água. Os produtores brasileiros têm aberto espaço em novos mercados internacionais, o que influencia na oferta da bebida internamente.
  • Crise no Vietnã: o país, que é o maior produtor mundial do café robusta, também tem enfrentado prejuízos por causa do clima. O tempo seco prolongado causou uma queda de 20% na produção em 2023/24, com as exportações caindo 10% pelo segundo ano consecutivo.

Deste modo, não apenas o grão do tipo arábica disparou, mas o robusta também tem batido recordes. Em setembro, pela primeira vez em 7 anos, o robusta teve o preço mais elevado do que o arábica.

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