Fonte: Café Point
Traders projetam produção entre 70 e 76 milhões de sacas, enquanto especialistas pedem cautela diante de estoques baixos e incertezas climáticas.
As chuvas que começaram a cair com mais intensidade na segunda quinzena de janeiro sobre as regiões cafeeiras levaram diversos traders e consultorias a lançarem, na última semana, estimativas entre 70 e 76 milhões de sacas para a safra brasileira de café 2026. Esses números estão acima do estimado por agrônomos brasileiros especializados em café, que dizem que é cedo para se afinar os números, mas que, se essas chuvas continuarem ao longo dos meses de fevereiro e março, poderemos ter uma produção acima da atual safra 2025, porém abaixo desses números estimados pelos traders.
De acordo com o Boletim Carvalhaes, os fundamentos do mercado de café permanecem os mesmos: as incertezas climáticas seguem afetando a produção de café no Brasil e nos demais principais países produtores. Os estoques globais continuam baixos, com o Brasil sem estoques remanescentes, tendo colhido em 2025 uma safra menor do que a projetada inicialmente. Além desse quadro, no último ano, as regiões produtoras de café já sofreram com diversos problemas climáticos que frustraram as expectativas mais otimistas com relação ao tamanho da safra.
No ano de 2025, o Brasil exportou 40.049.222 sacas de café, 20,83% a menos (10.534.948 sacas) que as 50.684.170 sacas exportadas em 2024. Foram 32.308.035 sacas de arábica, 12,79% a menos (4.736.159 sacas) que as 37.044.194 sacas embarcadas em 2024, e 3.994.990 sacas de conilon, 57,34% a menos (5.369.224 sacas) que as 9.364.214 sacas embarcadas em 2024. “Mesmo assim, nossos armazéns não estão cheios e o café que temos é apenas o necessário para abastecer nosso consumo interno e nossas exportações nesta segunda metade do ano safra 2025/2026”, pontuou o Boletim Carvalhaes, em seu último informativo. Os embarques deste mês de janeiro não devem ficar muito acima de 2,5 milhões de sacas.
Essas estimativas levaram as cotações do arábica a caírem forte entre os dias 28 e 30 de janeiro. Na última sexta (30), em mais um dia de muita volatilidade, os contratos de arábica na ICE Future US, em Nova York, e os de robusta na ICE Europe, em Londres, trabalharam e fecharam em forte baixa.
Contratos de arábica
Na sexta (30), na ICE Futures US, os contratos para março próximo oscilaram 1.460 pontos entre a máxima e a mínima, batendo, na máxima do dia, em US$ 3,4550 por libra peso. Fecharam valendo US$ 3,3220 por libra peso, com perdas de 1.325 pontos (3,83%). Na quinta (29) caíram 550 pontos (1,57%) e, na quarta (28), recuaram 1.625 pontos (4,43%). Neste mês de janeiro, somaram queda de 1.650 pontos (4,73%). Em 2025, esses contratos para março próximo subiram 6.950 pontos (24,89%).
Contratos de robusta
Na ICE Europe, os contratos de robusta para março bateram, na máxima de sexta (30), em US$ 4.199 por tonelada, em alta de US$ 20. Fecharam o pregão a US$ 4.113, em queda de US$ 66 (1,58%) por tonelada. Na quinta (29), subiram US$ 34 (0,82%) e, na quarta (28), caíram US$ 130 (3,04%). Somaram alta de US$ 164 (4,15%) por tonelada no mês de janeiro e caíram US$ 464 (10,51%) no mês de dezembro e US$ 50 (1,12%) no mês de novembro. Em 2025, esses contratos para março próximo recuaram US$ 926 por tonelada (19%).
Contratos futuros em R$
Em reais por saca, os contratos para março próximo na ICE Futures US fecharam valendo R$ 2.306,50. Na quinta (29), terminaram o dia a R$ 2.373,80. Encerraram a sexta passada (23) a R$ 2.454,07 e a sexta anterior a ela (16) a R$ 2.525,26.
Mercado físico brasileiro
Com mais um dia de queda em Nova York, o mercado físico brasileiro permaneceu quieto, paralisado, praticamente sem negócios fechados. Com as quedas em NY no decorrer da semana, tivemos um volume pequeno de negócios fechados. Os cafeicultores brasileiros não mostram disposição de venda nas bases oferecidas pelo mercado. Há interesse comprador para todos os padrões de café.
Embarques
Até dia 29, os embarques de janeiro estavam em 1.986.078 sacas de arábica, 133.367 sacas de conilon, mais 206.202 sacas de solúvel, totalizando 2.325.647 sacas embarcadas, contra 2.511.029 sacas no mesmo dia de dezembro.
Até o mesmo dia 29, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em janeiro, totalizavam 2.724.750 sacas, contra 3.176.507 sacas no mesmo dia do mês anterior.
