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junho 20, 2024
ARTIGOS TEC.

Bienalidade do café arábica deve sofrer descontinuidade este ano – Por Prof. José Donizeti Alves

A sensação que tenho, após dois anos de intensos reveses climáticos na cafeicultura, é que estamos vivenciando dias de calmaria no campo. Desde outubro as chuvas voltaram; no início de janeiro, passamos por um período de precipitações  volumosas que chegaram a preocupar, mas não se configuraram como estresse hídrico marcante e os famosos veranicos que normalmente ocorrem em janeiro e fevereiro não apareceram. O último Boletim de Avisos Fitossanitários (e climáticos) do Procafé, destacou que “não há déficit hídrico nas lavouras das regiões do Sul de Minas, do Triângulo Mineiro / Alto Paranaíba e da Mogiana – SP. Pelo contrário, configuram-se excedentes hídricos consideráveis e as temperaturas médias do ar ficaram abaixo das médias históricas em janeiro”.

Com o clima favorável, os ramos dos cafeeiros continuaram a crescer em taxas superiores àquelas esperadas para o período, e com o enfolhamento ativo as lavouras recuperaram sua área foliar. Com as folhas jovens se desenvolvendo mais rápido, as folhas agora maduras (fonte) atingiram mais precocemente sua funcionalidade e passaram a produzir reservas de carboidratos que geraram excedentes de energia, cruciais para uma boa granação do fruto (dreno). Com isso as sementes estão aumentando em tamanho e peso, o que irá refletir em uma melhor renda do café a ser colhido este ano.

Todavia, um aumento expressivo na produção só deve ser esperado quando  ocorrerem, significativamente: (i) aumento do número de ramos plagiotrópicos; (ii) aumento do número de nós; (iii) aumento do número de frutos em cada nó e (iv) aumento do peso do café. Entretanto, convém esclarecer que a contribuição ou o peso de cada um desses quatro fatores para o aumento da produção, não gira em torno de 25%. De fato, melhorias no peso das sementes do café obviamente contribuem para aumentar a produção, mas em uma escala bem menor, variando de 10 a 15%.

Embora muitos colegas considerem que a produção desse ano não deverá sofrer aumento em relação à do ano passado, não se deve desprezar a resiliência do cafeeiro, em resposta à melhoria do clima e do efeito residual da bienalidade positiva. Portanto, é possível haver um aumento na produção, mas, proporcional às forças da fonte e do dreno. 

Nessa altura, o leitor desse artigo deve estar se indagando: se o clima no ano passado foi tão ruim para cafeicultura, por que não vai refletir em queda na produção deste ano? Não podemos esquecer que, dado a bienalidade da cultura do café, o volume da produção anterior tende a influenciar o da próxima. Portanto, mesmo com um pequeno aumento, induzido pela relação fonte-dreno, se compararmos a perspectiva de safra aqui aventada, com a que foi colhida no último ano de bienalidade positiva (48,74 milhões de sacas – CONAB 2020), a produção do café arábica deverá ser 1/3 menor do que a potencialmente esperada, caso houvesse uma safra cheia, e isso, foi o que me levou a considerar que o ciclo de baixa e alta produção deve ser quebrado e teremos dois anos consecutivos de safra baixa, 2021 e 2022

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