Fonte: Agrolink
A principal diferença está na variável climática dos Estados Unidos.
Após um período prolongado de preços pressionados, a comercialização da soja tende a ser influenciada não apenas pelas cotações atuais, mas também pela memória recente do produtor. Segundo análise da Veeries, esse comportamento pode voltar a ganhar peso em 2026, em um cenário que lembra, em parte, o observado em 2020.
Naquele ano, muitos produtores venderam soja a R$ 85 por saca, enquanto os preços chegaram a R$ 150 ao longo do ano. A maior parte não conseguiu capturar a valorização posterior. Mais do que um episódio pontual, o movimento revelou um padrão de decisão comum em momentos de recuperação depois de ciclos longos de preços baixos.
Depois de conviver com valores deprimidos por um período extenso, o produtor tende a enxergar qualquer melhora como uma boa oportunidade de venda. A lembrança das cotações menores passa a pesar mais do que a possibilidade de um cenário mais favorável adiante. Esse fator comportamental ajuda a explicar por que parte da produção pode ser negociada antes de uma eventual alta mais consistente.
O início de 2026 apresenta um pano de fundo semelhante. Após quatro anos de preços pressionados, é natural que o produtor queira travar vendas quando encontra níveis considerados razoáveis. O risco, segundo a leitura da consultoria, é que essa decisão ocorra antes de o mercado mostrar com mais clareza sua direção.
A principal diferença está na variável climática dos Estados Unidos, que ainda permanece em aberto. A safra norte-americana começa a ser definida justamente no período em que soja e milho costumam ganhar tendência mais clara. Por isso, o paralelo com 2020 não deve ser entendido como previsão de preços, mas como uma análise sobre comportamento de venda.
A questão central para 2026 é em que ponto o produtor considerará o preço suficiente para negociar. Em ciclos longos de baixa, esse ponto costuma ser redefinido para baixo, aumentando a chance de vendas antecipadas em momentos de recuperação inicial.
