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maio 19, 2026
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Safra 25/26: APTA Regional de São Roque colhe mais de 2 toneladas de uvas agroecológicas e anuncia avanço para sistema biodinâmico

Fonte: Revista Cafeicultura

Em referência ao Dia Mundial do Vinho, celebrado em 18 de fevereiro, resultados reforçam a força da pesquisa pública na viticultura sustentável paulista

Em sintonia com o Dia Mundial do Vinho, comemorado em 18 de fevereiro, os resultados da safra 2025/2026 evidenciam como tradição e inovação caminham juntas em São Roque. No município conhecido como a Terra do Vinho, a pesquisa da APTA Regional fortalece o enoturismo, valoriza o terroir local e projeta um futuro ainda mais sustentável para o setor.

A colheita da safra alcançou a produção de 2.136 quilos de uvas cultivadas em sistema agroecológico. O resultado confirma a viabilidade técnica e econômica do modelo sustentável e marca o início de uma nova etapa: a transição do vinhedo experimental para o sistema biodinâmico.

A grande protagonista da colheita foi a variedade Bordô, responsável por 1.735 kg da produção total. Conhecida por sua rusticidade e intensa coloração, ela é a base para a produção dos sucos e vinhos de mesa na região. O balanço também registrou as variedades Isabel Precoce com 228 kg e IAC Ribas 173 kg.

A escolha pelo sistema agroecológico reflete uma tendência crescente no mercado que busca alimentos livres de resíduos químicos e produzidos com respeito à biodiversidade. No Roteiro do Vinho de São Roque, essa tendência foi sentida nas vinícolas em 2017 no atendimento aos cerca de 1,5 milhão de turistas que passeiam na cidade anualmente.

O balanço final aponta uma produção de uvas de alta qualidade, com excelente estado fitossanitário e equilíbrio entre açúcar e acidez. “O resultado é muito relevante para o manejo sustentável e reafirma a viabilidade técnica e econômica da agricultura livre de resíduos químicos”, ressalta o pesquisador Wilson Tivelli, coordenador do projeto.

A safra deste ano, colhida na primeira quinzena de janeiro, reafirma a viabilidade da agricultura sustentável. “O manejo agroecológico segue demonstrando resiliência e produtividade constante”, destaca Tivelli.

Os benefícios, segundo Tivelli, que se iniciam no campo, chegam à sociedade com alto valor agregado. Para o produtor rural, os dados desta safra provam que o manejo agroecológico é produtivo e menos dependente de insumos caros, “onde o manejo do ácaro da erinose da videira e a formiga cortadeira podem ser realizados com a correção do enxofre e o molibdênio no solo, respectivamente; ou que o controle do míldio pode ser manejado com a aplicação de sílica nas videiras”.

“Para a sociedade, o resultado é um alimento nutricionalmente superior e um modelo de produção que protege a biodiversidade e os recursos hídricos de São Roque, com a vivificação do solo do vinhedo que permite mitigar o efeito estufa, causado pelo gás carbônico ao manejar as plantas espontâneas ou com a permeabilidade do solo orgânico que volta a absorver a chuva, recarregando o lençol freático e mitigando as enchentes no meio urbano”, explica Tivelli.

Os trabalhos visam o fortalecimento de parcerias estratégicas público-privada, além de levar incentivo aos mercados locais para pequenos e médios agricultores.

Qualidade e Sustentabilidade

O volume colhido supera as expectativas para o manejo agroecológico, entregando frutos com excelente equilíbrio entre açúcar e acidez. O destino da produção é o processamento de vinhos e sucos integrais, que levam ao consumidor o sabor autêntico do terroir local, preservando as características naturais de cada variedade. Para Tivelli, o sucesso da safra, mesmo com o atraso no ciclo de produção, devido ao clima mais frio na primavera, “demonstra a resiliência do sistema”.

O trabalho é desenvolvido, desde 2018, em parceria com o Sindicato da Indústria do Vinho de São Roque (Sindusvinho), a Prefeitura da Estância Turística de São Roque e o Curso de Viticultura e Enologia do Instituto Federal de São Paulo (Campus de São Roque).

Próximos passos: Do Agroecológico ao Biodinâmico

Com o encerramento da colheita, a APTA Regional de São Roque inicia uma nova agenda estratégica para 2026, unindo inovação, sustentabilidade e impacto social.

Entre as ações previstas estão a transição do vinhedo para a viticultura biodinâmica, em parceria com o Instituto Mahle; a execução de um projeto aprovado pelo CNPq, em colaboração com a UFSCar Sorocaba, voltado à transferência de tecnologia para agricultores, quilombolas, assentados rurais e indígenas; e a implantação de um novo vinhedo de uvas tintas para o estudo do Valor de Cultivo e Uso, com a comparação entre linhagens do IAC e variedades comerciais modernas sob manejo biodinâmico.

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