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julho 15, 2026
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Acordo Mercosul-UE abre novo ciclo para o agro.

Fonte: Agrolink

Pacto estabelece a eliminação tarifária progressiva de mais de 90% dos produtos.

Após 25 anos de negociações, o Mercosul e a União Europeia formalizaram, em janeiro de 2026, um amplo acordo de livre comércio que promete abrir novos caminhos para o agronegócio sul-americano. O pacto estabelece a eliminação tarifária progressiva de mais de 90% dos produtos comercializados entre os blocos, criando a maior área de livre comércio do mundo em volume de PIB e população atendida.

De acordo com análise do Itaú BBA, o tratado representa um avanço estratégico para o Brasil, que atualmente destina cerca de 15% das receitas do agro à União Europeia — atrás apenas da China, responsável por 34% do faturamento externo do setor. O novo ambiente comercial poderá reduzir essa dependência asiática e ampliar a diversidade dos destinos das exportações.

Na prática, o acordo prevê que o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos produtos europeus ao longo de 15 anos, enquanto o bloco europeu fará o mesmo com 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos. Para o setor agrícola, no entanto, a abertura será mais controlada: itens considerados sensíveis na Europa — como carnes, açúcar, arroz e etanol — estarão sujeitos a cotas específicas e liberalização parcial.

Ainda assim, o Brasil poderá colher ganhos expressivos em categorias menos restritas. Produtos como café, frutas e sucos terão as tarifas eliminadas em prazos variados. No caso do café torrado, moído e solúvel, por exemplo, a redução será escalonada até a eliminação total em quatro anos. “A medida tende a melhorar a competitividade brasileira frente a países que já possuem acesso preferencial, como o Vietnã”, aponta o Itaú BBA.

Para as frutas frescas, o cenário é ainda mais promissor. Sem limites de volume e com cronogramas definidos, produtos como uva (tarifa zero imediata), abacate, melão, maçã e limão devem se beneficiar de uma abertura comercial ampla, o que pode favorecer produtores que buscam acesso ao mercado europeu com menor barreira tarifária.

Na lista dos produtos com cotas, carnes e etanol ganham tratamento diferenciado. O frango, que já opera com cotas regidas pela OMC, terá acesso adicional de 180 mil toneladas com tarifa zero, dividido entre os países do Mercosul e implantado gradualmente em seis anos. A carne bovina poderá exportar 99 mil toneladas com tarifa reduzida de 7,5%, além da Cota Hilton, com acesso tarifário zerado para cortes premium.

Apesar das oportunidades, o tratado impõe mecanismos de controle. A União Europeia poderá reativar tarifas de forma temporária caso as importações do Mercosul ultrapassem 5% dos volumes acordados ou provoquem queda de 5% nos preços internos. Trata-se de uma cláusula de salvaguarda voltada à proteção de setores agrícolas europeus vulneráveis, especialmente em países como França e Irlanda.

O Itaú BBA alerta que o acordo não trará efeitos imediatos sobre os volumes exportados. As cotas, os prazos de eliminação e as regras ambientais tendem a moderar os impactos no curto prazo. No entanto, os benefícios poderão se consolidar ao longo dos anos, com estímulo à agregação de valor, investimentos logísticos e maior inserção em cadeias globais de fornecimento.

Também está no horizonte a necessidade de adequação a padrões mais rígidos de sustentabilidade. Rastreabilidade, combate ao desmatamento e compromissos ambientais serão critérios fundamentais para manter o acesso preferencial ao mercado europeu, exigindo mudanças operacionais por parte das cadeias produtivas brasileiras.

Para entrar em vigor plenamente, o acordo ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos dos países envolvidos. No caso da União Europeia, apenas a parte comercial depende do Parlamento Europeu, o que pode acelerar a implementação. O Brasil e seus vizinhos do Mercosul também precisam ratificar o documento internamente.

Segundo o Itaú BBA, trata-se de um movimento estratégico que, embora complexo, sinaliza um novo ciclo de integração global para o agronegócio do Cone Sul. O desafio agora é transformar o potencial em competitividade — com planejamento, qualificação e sustentabilidade como pilares da nova fase.

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