Fonte: Revista Cafeicultura
As chuvas intensas e fora de época que marcaram a colheita da safra brasileira de café 2025/26 deixaram prejuízos expressivos em diversas regiões produtoras. Para avaliar a percepção dos cafeicultores sobre o impacto dessas intempéries, o canal Mercado, da Revista Cafeicultura, que reúne mais de mil membros, realizou uma enquete com a seguinte pergunta:
“Caiu café no chão na sua lavoura?”
Os resultados evidenciam que a queda de frutos foi uma realidade para praticamente todos os produtores participantes.
Resultado da enquete
A enquete recebeu 135 respostas, distribuídas da seguinte forma:
| Resposta | Votos | Participação (%) |
|---|---|---|
| De 20 a 30% | 58 | 43,0% |
| De 30 a 50% | 46 | 34,1% |
| De 10 a 20% | 17 | 12,6% |
| Menos de 10% | 8 | 5,9% |
| Mais que 50% | 4 | 3,0% |
| Não caiu nada | 2 | 1,5% |
| Total | 135 | 100% |
Análise estatística
Os números mostram que a queda de frutos foi um problema amplamente disseminado entre os participantes.
Dos 135 produtores, 133 (98,5%) relataram algum nível de queda de café no chão, enquanto apenas 2 produtores (1,5%) afirmaram que não houve queda em suas lavouras.
Entre aqueles que registraram perdas:
- 43,0% estimaram perdas entre 20% e 30%, sendo esta a faixa mais frequente (moda estatística);
- 34,1% relataram perdas entre 30% e 50%;
- 12,6% indicaram perdas entre 10% e 20%;
- 5,9% registraram perdas inferiores a 10%;
- 3,0% afirmaram perdas superiores a 50%.
Quando agrupadas as respostas, observa-se que:
- 77,1% dos participantes sofreram perdas entre 20% e 50%;
- 80,1% registraram perdas de 20% ou mais, incluindo aqueles com perdas superiores a 50%;
- Apenas 7,4% tiveram perdas inferiores a 10% ou nenhuma perda.
A mediana das respostas também se encontra na faixa de 20% a 30%, demonstrando que essa foi a situação típica vivenciada pelos cafeicultores que participaram da enquete.
Um retrato das dificuldades da safra 2025/26
Os resultados reforçam o cenário observado em campo pela equipe da Revista Cafeicultura. Depois de um ciclo marcado por déficit hídrico durante importantes fases do desenvolvimento da cultura, as chuvas intensas ocorridas justamente durante a colheita provocaram elevada queda de frutos, comprometendo tanto a produtividade quanto a qualidade do café.
Além da queda dos grãos, produtores de diversas regiões relataram problemas como:
- grande volume de café no chão;
- germinação de frutos na planta e nos terreiros;
- aumento da fermentação indesejada;
- dificuldades na secagem;
- redução da qualidade da bebida;
- aumento dos custos com recolhimento e beneficiamento.
Esses fatores tendem a reduzir o rendimento final e elevar os custos de produção, afetando diretamente a rentabilidade das propriedades.
A percepção dos produtores confirma o cenário da safra
Embora a enquete não tenha caráter científico nem represente estatisticamente toda a cafeicultura brasileira, ela reúne a opinião de produtores ativos no mercado e serve como um importante indicador da situação vivida no campo.
O fato de 98,5% dos participantes relatarem algum nível de queda de café no chão demonstra a dimensão dos impactos das intempéries climáticas sobre a safra 2025/26. A concentração das respostas nas faixas entre 20% e 50% de perdas confirma que os prejuízos foram significativos e generalizados.
Os resultados reforçam a avaliação técnica da Revista Cafeicultura de que a safra 2025/26 ficará marcada como um dos ciclos mais desafiadores dos últimos anos, consequência da combinação de estresse hídrico, irregularidade climática e chuvas excessivas durante a colheita, fatores que comprometeram tanto a quantidade quanto a qualidade da produção brasileira de café.
