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maio 22, 2026
Agricultura

Exigência por dados muda agenda regenerativa

Fonte: Agrolink

A mensuração do carbono no solo também impõe desafios de prazo e variabilidade.

A exigência por comprovação técnica deve ganhar mais peso nas cadeias agroindustriais que buscam acesso a mercados e valorização de práticas regenerativas. Segundo Jacques Dieu, especialista em agricultura regenerativa e saúde do solo, a entrada em vigor do Acordo Provisório UE-Mercosul, em 1º de maio de 2026, trouxe uma mudança relevante para o setor: dados de solo deixam de ser opcionais e passam a ser requisito de acesso a mercado.

Nesse cenário, promessas genéricas de sustentabilidade perdem espaço diante da necessidade de evidências capazes de demonstrar, com base científica, os efeitos das práticas adotadas no campo. A transição para modelos regenerativos ainda enfrenta uma lacuna considerada crítica: a invisibilidade do solo. Sem informações precisas sobre biodiversidade microbiana e estoque de carbono, produtores e indústrias seguem operando com estimativas, e não com certezas científicas.

A mensuração do carbono no solo também impõe desafios de prazo e variabilidade. Mudanças reais geralmente levam de cinco a dez anos para se tornarem detectáveis, além de dependerem de fatores como clima, textura do solo, manejo utilizado e histórico da área. Isso torna mais complexa a comprovação de resultados e reforça a importância de indicadores consistentes ao longo do tempo.

A plataforma BeCrop®, da Biome Makers Inc., é apresentada como uma solução para essa lacuna, ao oferecer uma camada digital voltada à inteligência biológica do solo. A tecnologia permite quantificar o potencial real de sequestro de carbono com baseline baseado em DNA, mapear a biodiversidade funcional ligada à ciclagem de nutrientes, supressão de patógenos e eficiência radicular, além de monitorar a evolução das áreas para comprovar se as práticas regenerativas estão gerando resultados.

A ferramenta também busca gerar indicadores auditáveis, alinhados a exigências como CSRD, EUDR e certificações de carbono Verra e Gold Standard. Para indústrias de alimentos, bioenergia e grandes players do setor, esse tipo de dado pode apoiar metas ESG, ampliar a credibilidade no acesso ao mercado europeu e estruturar programas de carbono baseados em ciência do solo.
 

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