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USDA reduz estimativa de safra de café do Brasil em quase 6%

Pressionada por problemas climáticos, expectativa de colheita caiu para 69,9 milhões de sacas

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu em 3,5 milhões de sacas de 60 quilos a estimativa de produção de café brasileira da safra 2024/25, o que corresponde a uma queda de 5,8%. As atuais estimativas de volume ficam em 69,9 milhões de sacas, pressionadas por efeitos climáticos adversos, em particular sobre as lavouras de arábica.

Mesmo com a redução, a safra de café supera, de leve, a colheita de 66,3 milhões de sacas registrada na temporada de 2023/24, informou o USDA na última sexta-feira (22/11).

Ao separar por espécie de café, o órgão previu que a safra de arábica em 2024/25 deve chegar a 45,4 milhões de sacas, um ligeiro aumento, de 1,1%, em comparação ao ciclo anterior, estimado em 44,9 milhões de sacas. Já a expectativa para a produção de conilon caiu 2%, de 21,4 milhões para 21 milhões de sacas. O novo dado revela os prejuízos de desenvolvimento dos frutos de café causados pelas altas temperaturas e falta de chuvas, intensificados pelo fenômeno El Niño.

A atualização do USDA coloca a projeção do departamento próxima à estimativa da StoneX para a produção em 2024/25, divulgada em 1º de agosto deste ano. “Após uma pesquisa de safra publicada em fevereiro, a StoneX havia estimado a produção em 67 milhões de sacas, sendo 44,3 milhões de sacas de café arábica e 22,7 milhões de sacas de robusta. Durante a colheita, a equipe da StoneX conduziu uma nova pesquisa e, no início de agosto, revisou a estimativa da produção para a temporada, reduzindo-a de 67 para 65,9 milhões de sacas, 1,7% menor”, descreveu o analista Fernando Maximiliano.

Na nova projeção da StoneX, a produção de robusta foi reduzida em 6,8%, totalizando 21,2 milhões de sacas, enquanto a produção de arábica teve um ajuste de 1%, alcançando 44,7 milhões de sacas. A diferença entre a nova estimativa do USDA e a da StoneX é de apenas 500 mil sacas.

Exportações e consumo doméstico

Para o ciclo 2024/25, que só se encerra em junho do ano que vem, o Departamento Americano estima que as exportações cheguem a 44,25 milhões de sacas, recuo de 5,3% em relação às 46,7 milhões de sacas projetadas para 2023/24. O ajuste tem como componente uma expectativa do mercado de recuperação das exportações de Vietnã e Indonésia, cujos ciclos voltam a normalizar.

Segundo o USDA, a pressão sob as lavouras cafeeiras não deve interromper a curva de crescimento das exportações de café do Brasil. Em setembro de 2024, o país embarcou 4,5 milhões de sacas, 33% a mais do que o mesmo intervalo no ano anterior. Os Estados Unidos lideram o ranking de maiores compradores do grão, seguidos por Alemanha, Bélgica, Itália e Japão.

Em relação ao mercado interno, o USDA indica que o Brasil pode ficar em patamares estáveis, consumindo 22,67 milhões de sacas do ciclo 2024/25, das quais 21,7 milhões de sacas são de café torrado/moído e 970 mil sacas de café solúvel. Os altos preços do varejo devem limitar o consumo, em especial, no primeiro semestre de 2025. Embora não haja projeção oficial ainda, analistas falam em uma alta de 20% a 30% nos próximos três meses.

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