Fonte: Café Point
Tem sido observada, em campo e em diferentes regiões, uma intensa queda de frutos chumbinhos em cafeeiros, o que, dentro de certos níveis, constitui um processo normal.
Os cafeeiros florescem de setembro a novembro, com a retomada das chuvas, e, em seguida, os frutinhos iniciam seu crescimento, inicialmente de forma mais lenta. Entre 80 e 100 dias após a florada, os frutos passam a se desenvolver de modo mais acelerado, com o início da formação das sementes em seu interior. Nesse período, aumenta a necessidade de reservas da planta para sustentar essa fase de crescimento e o início do enchimento dos frutos.
As reservas dos cafeeiros encontram-se, em sua maioria, na folhagem. Assim, em plantas desfolhadas, não há reservas suficientes, o que favorece a queda dos frutinhos. Qualquer outro fator que reduza o acúmulo de reservas, como desnutrição, estresse hídrico, entre outros, também tende a agravar o problema.
A queda de chumbinhos à qual nos referimos tem caráter fisiológico, sendo provocada pela falta de reservas. Nessa condição, pesquisas têm demonstrado que nenhum tipo de tratamento aplicado no momento da queda resulta na redução do problema. Medidas preventivas poderiam ter sido adotadas anteriormente, por meio de práticas que mantivessem as plantas mais enfolhadas e, consequentemente, com maiores reservas.
Tem-se verificado que, mesmo dentro de uma mesma planta, ramos mais enfolhados apresentam menor queda de frutos, mantendo maior número de chumbinhos por roseta em comparação com ramos desfolhados.
Observa-se, também, que em lavouras onde ocorrem várias floradas e, portanto, frutificações em diferentes estágios de desenvolvimento, a queda de frutinhos tende a ser mais acentuada, uma vez que os frutos maiores atuam como drenos prioritários das reservas da planta.
Uma constatação um pouco diferente observada neste ano refere-se à antecipação da queda de chumbinhos em algumas regiões, possivelmente associada à ocorrência de florações mais precoces, registradas já no mês de agosto.