Jovem trocou carreira em empresa do setor para empreender
Em apenas alguns minutos de conversa, dá para sentir o entusiasmo do engenheiro-agrônomo Max Eduardo Rodrigues Pereira, de 30 anos, quando o assunto é “sementes”. “Sempre tive curiosidade de conhecer mais sobre a produção de sementes. Desde criança, fui fascinado por plantações e na escola agrotécnica – minha primeira formação – esse interesse ficou ainda mais forte”, conta. Há pouco mais de um ano ele deixou uma carreira promissora em uma empresa do setor, para criar uma marca própria, em Uberlândia (MG), para produzir e comercializar sementes.
“É muito gratificante. Você coloca a semente lá, um grão que é minúsculo e, com o passar dos dias, ele se transforma numa planta. Isso mexe muito comigo”, frisa o jovem empresário. Mas, não foi somente a paixão pela área que permitiu a virada de chave. Max conta que atuou, no meio corporativo, em todas as etapas do processo de produção de sementes antes de partir para o negócio próprio.
Ainda durante o curso técnico ele foi contratado pela empresa do setor sementeiro, na qual atuou por 10 anos. Em sua trajetória, Max passou por áreas como desenvolvimento, melhoramento, produção, registro e comercialização. Segundo ele, todo esse período exigiu muito aprendizado e dedicação, incluindo uma especialização na área.
As possibilidades de crescimento existiam, mas o desejo de empreender falou mais alto: “eu tinha tudo para me acomodar, porque eu estava no meu melhor momento. Não é fácil chegar nesse ponto, com conhecimento do mercado, dos grandes clientes e fornecedores, você tem que se entregar muito”.
Marca própria
Hoje, Max é proprietário de uma empresa especializada na área de tecnologia em sementes, com foco na produção e comercialização de sorgo forrageiro. Para isso, obteve credenciamento junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), seguindo todas as regras e normas exigidas para a atividade. “A partir do material base de empresas como a Embrapa, faço o pagamento dos royalties e adquiro o direito de multiplicar as sementes”, explica.
Para conseguir o licenciamento, o agrônomo precisou comprovar a capacidade operacional, técnica e estrutural da empresa. Ele também mantém uma área chamada de vitrine tecnológica, onde instalou uma estação experimental para que os clientes possam conhecer as cultivares. A meta é ampliar a área para, futuramente, atuar também no desenvolvimento de sementes, com foco em características como tolerância à seca e alta produtividade.
O empresário admite que é necessário esforço e, claro, investimentos. “O problema maior, hoje, não é dinheiro. Temos investidores, já tive propostas inclusive, pois estou numa região estratégica. O que vale mais do que dinheiro é a ideia, a vontade de fazer acontecer, com coragem e conhecimento”, salienta.