Debate reforça desafios da agricultura tropical

Fonte: Agrolink

Durante o evento, foi lançada a campanha “O que é que só o Brasil tem?”.

A agricultura tropical voltou ao centro do debate sobre políticas públicas, inovação e competitividade do agronegócio brasileiro durante evento realizado nesta quarta-feira, em Brasília. O encontro reuniu autoridades, especialistas, produtores e representantes do setor para discutir a necessidade de regras e estratégias alinhadas às características produtivas do país, marcadas por clima quente, maior pressão de pragas e diversidade de solos.

Durante o evento, foi lançada a campanha “O que é que só o Brasil tem?”, criada para ampliar o conhecimento sobre o modelo agrícola tropical brasileiro e destacar a importância da ciência, da tecnologia e da regulação para a produção nacional. A iniciativa surgiu após pesquisa da CropLife Brasil, realizada pela Nexus, apontar desconhecimento sobre o conceito de agricultura tropical entre integrantes do Congresso Nacional, Executivo federal, jornalistas e empresários do agronegócio. Segundo o levantamento, 24% dos entrevistados não souberam definir o termo, enquanto apenas 1% o associou diretamente à tecnologia.

Nos debates, representantes do setor defenderam que o Brasil possui um sistema produtivo próprio, diferente do observado em países de clima temperado, e que isso exige políticas públicas específicas. A presidente da CropLife Brasil, Ana Repezza, destacou a necessidade de aproximar a sociedade do tema e ampliar a compreensão sobre as soluções desenvolvidas para as condições tropicais do país.

Entre os pontos discutidos estiveram a modernização da legislação, a agilidade nos processos regulatórios e a importância da proteção à inovação. Representantes do Ministério da Agricultura e do Ministério do Desenvolvimento defenderam a criação de um ambiente regulatório mais favorável para acelerar registros de produtos e estimular novas tecnologias voltadas à biodiversidade brasileira.

Produtores rurais também alertaram para os impactos de mudanças regulatórias sem previsibilidade e para a necessidade de tornar os insumos mais acessíveis, especialmente para pequenos e médios agricultores. Já representantes ligados ao comércio exterior ressaltaram que ainda existe desinformação internacional sobre o modelo produtivo brasileiro e sobre o uso de tecnologias adaptadas às condições tropicais.

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