Extrato de planta nativa é alternativa para controle de doença em abobrinhas

Pesquisa identificou que extrato do limoeiro-do-mato atua como uma espécie de vacina

O extrato da planta nativa Seguieria langsdorffii, conhecida como limoeiro-do-mato, possui propriedades antivirais que podem ser usadas no controle do vírus do mosaico amarelo (ZYMV, na sigla em inglês) que afeta a abobrinha, identificou um estudo desenvolvido no Instituto de Biociências da USP, em parceria com o Instituto Biológico de São Paulo.

A doença, que afeta especialmente a abobrinha de moita, é transmitida por pulgões e é responsável por sintomas como o clareamento das nervuras das folhas e deformações nas bordas das folhas, além de reduzir o tamanho e qualidade dos frutos. Essa doença é um dos maiores desafios para o cultivo de abobrinha, especialmente para pequenos produtores que dependem dessa cultura. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil produziu cerca de 158 mil toneladas de abobrinha em 2017, com destaque para a agricultura familiar.

A pesquisa do doutorando Elielson Silveira observou que o extrato do limoeiro-do-mato, quando aplicado nas plantas, induz uma resistência ao vírus, funcionando de forma semelhante a uma vacina. O processo envolve a pulverização do extrato, que é feito com a mistura de água e folhas da planta nativa. Os resultados obtidos nos testes mostraram que o extrato conseguiu inibir em até 90% a infecção pelo vírus nas abobrinhas.

Para o pesquisador, essa descoberta representa uma alternativa ecologicamente mais sustentável aos métodos tradicionais de controle de doenças nas plantas, como o uso de defensivos agrícolas. Assim, o principal objetivo do trabalho é chegar até o produtor, que pode aplicar o extrato e alcançar o controle biológico de maneira menos agressiva ao ambiente e à sua saúde.

Apesar do uso de variedades de abobrinha resistentes ao ZYMV, essas ainda não oferecem uma proteção total contra a doença, indica a pesquisa. Quando o vírus é inoculado, a resistência das variedades mais tolerantes à doença não impede completamente a infecção, apenas retarda o processo. Para Silveira, essa é uma das razões pelas quais soluções como o extrato da Seguieria langsdorffii podem ser tão promissoras no combate à doença.

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