Clima e crédito desafiam próxima safra

Fonte: Agrolink

O risco climático se soma a um ambiente financeiro mais restritivo.

A safra 2026/27 começa a ser observada com atenção diante de um cenário que combina risco climático, crédito mais caro e decisões de investimento mais complexas no campo. Segundo Antonio Prado G. B. Neto, consultor do agronegócio, os eventos recentes de El Niño indicam a possibilidade de um padrão semelhante ao observado em ciclos anteriores, o que exige cautela no planejamento produtivo.

Embora o fenômeno costume favorecer maior volume de chuvas no Centro-Sul, a preocupação se concentra no Centro-Norte do Brasil, região estratégica para a produção de soja e, principalmente, de milho segunda safra. A avaliação é de que eventuais ganhos produtivos no Centro-Sul não seriam suficientes para compensar perdas potenciais em áreas sujeitas a déficits hídricos mais relevantes.

O risco climático se soma a um ambiente financeiro mais restritivo. Juros elevados, crédito mais seletivo e custos maiores com fertilizantes e combustíveis reduzem a margem de manobra do produtor. Com menos recursos disponíveis e maior exposição a perdas de produtividade, a próxima safra tende a exigir escolhas mais técnicas sobre onde aplicar capital, tecnologia e insumos.

Esse contexto pode levar a ajustes no uso de tecnologia, revisão da adubação e menor intensidade produtiva em algumas áreas. A decisão central passa a ser como alocar um recurso cada vez mais caro e escasso, priorizando investimentos com maior retorno e práticas capazes de garantir estabilidade, em vez de buscar apenas o maior teto de produção.

A mudança de mentalidade deve envolver toda a cadeia. Produtores terão de adotar critérios mais rigorosos, fornecedores precisarão considerar os limites financeiros dos clientes e o sistema financeiro tende a atuar com maior seletividade diante do risco. Nesse cenário, a safra 2026/27 pode ser menos marcada pela busca de produzir mais e mais orientada à necessidade de produzir melhor com menos.

O estudo comparativo citado por Prado aponta reduções de 10,1% na safra 2015/16 e de 5,9% em 2023/24 em relação aos ciclos anteriores. Caso um movimento semelhante ocorra, a produção 2026/27 poderia ficar próxima de 330 milhões de toneladas, ante projeção de 359 milhões de toneladas para o fechamento da safra 2025/26.
 

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