Cooperativas enfrentam incertezas com reforma.

Fonte: Agrolink

“Há avanços importantes, mas com pontos de atenção”.

A reforma tributária trouxe avanços importantes para as cooperativas, reconhecendo o ato cooperativo e garantindo alíquota zero nas operações entre cooperados e cooperativas, mas ainda gera insegurança para o agronegócio. A Emenda Constitucional nº 132/2023 e a Lei Complementar nº 214/2025 avançaram na proteção do modelo cooperado, mas deixam dúvidas sobre créditos em operações com terceiros e cadeias produtivas complexas.

A falta de clareza pode gerar insegurança jurídica, distorções de preços e aumento de litígios, ameaçando a eficiência e competitividade do setor. Questões como o crédito tributário nas relações com não associados e o tratamento de operações mistas ainda carecem de definição, elevando custos e enfraquecendo o sistema de integração produtiva.

“Há avanços importantes, mas com pontos de atenção. A emenda e a lei complementar reconheceram a natureza peculiar do ato cooperativo e asseguraram alíquota zero nas operações entre cooperado e cooperativa. O problema é que ainda há dúvidas sobre o uso de créditos nas operações com terceiros e sobre como essa neutralidade se aplicará em cadeias produtivas mais complexas”, afirma advogado o André Aidar, sócio e head de Direito do Agronegócio no Lara Martins Advogados, doutor e mestre em Agronegócio (UFG).

Para reduzir os riscos, são recomendadas três medidas: regulamentação detalhada da não incidência, criação de guias de compliance diferenciando atos cooperativos e mercantis, e instalação de um comitê técnico tripartite com representantes da Fazenda, da OCB e dos entes federativos.

Com a transição do novo sistema prevista até 2033, as cooperativas precisarão revisar contratos, ajustar sistemas e planejar a migração de créditos. Apesar das incertezas, o reconhecimento da alíquota zero nas operações internas ajuda a mitigar parte dos riscos, dando um passo relevante para a segurança jurídica do setor.

“As cooperativas precisarão revisar contratos, ajustar sistemas e planejar a migração de créditos. A neutralidade ainda imperfeita pode pressionar margens e preços, mas o reconhecimento da alíquota zero nas operações entre cooperado e cooperativa ajuda a mitigar parte desses riscos”, conclui Aidar.

Related posts

Caravana Giro do Leite estreia na Megaleite 2026 com apoio técnico ao torneio leiteiro 

SECADORES ROTATIVOS PARA CAFÉ.

Produção artesanal de queijo avança em São Paulo e conquista reconhecimento estadual 

Usamos cookies para melhorar sua experiência no site. Leia Mais