Fonte: Café Point
Com clima favorável à colheita e cenário global instável, fundos e especuladores mantêm pressão sobre as cotações do café; previsão de frio intenso preocupa produtores no Sudeste.
Semana passada foi, novamente, de queda acentuada nas cotações do café, tanto na ICE Futures US de Nova York quanto na ICE Europe de Londres, informa o Boletim Carvalhaes.
Segundo o relatório, com as condições climáticas favoráveis, a colheita da nova safra brasileira de café avança bem, em meio a um quadro político e econômico global imprevisível e agravado pela escalada no conflito entre Israel e Irã. Nesse cenário, diz o boletim, fundos e especuladores continuam derrubando com força as cotações do café nas duas bolsas.
Com a entrada do inverno no hemisfério sul, informa também o Boletim Carvalhaes, a previsão para o início desta semana é de grande mudança, com o avanço de uma intensa massa de ar de origem polar que vai provocar queda acentuada das temperaturas sobre os cafezais do sudeste brasileiro (Climatempo).
“Os fundamentos do mercado de café permanecem os mesmos: estoques historicamente baixos, tanto nos países produtores como nos países consumidores, clima irregular e equilíbrio precário entre produção e consumo global”, diz o relatório.
“Os estoques brasileiros de passagem no final de junho são historicamente baixos, possivelmente os menores em mais de cem anos, e a nova safra que começa a entrar no mercado, mesmo que atinja o volume das maiores estimativas privadas, não será suficiente para um estoque de passagem mais confortável em junho de 2026”, resume.
No entanto, a expectativa de uma possível grande safra de café no Brasil em 2026 contribui com a atual pressão sobre as cotações do café neste início da nova safra brasileira de 2025.
Contratos de arábica
Os contratos de arábica com vencimento em julho próximo na ICE Futures US, em Nova York, oscilaram na sexta (20) 1.290 pontos entre a máxima e a mínima. Bateram US$ 3,2985 na máxima do dia – em alta de 495 pontos, e fecharam valendo US$ 3,2490, com perdas de 1.095 pontos.
Quinta (19) não houve pregão devido ao feriado nos EUA, e na quarta (18), esses contratos caíram 1.095 pontos. Na terça-feira (17), fecharam com perdas de 810 pontos e na segunda (16), de 575 pontos. Somaram queda de 3.065 pontos na semana passada e de 835 pontos na semana retrasada. Subiram 1.560 pontos na semana anterior a ela.
Caíram, em maio, 5.830 pontos e, em abril, acumularam ganhos de 2.535 pontos. Em 2025, até o fechamento desta sexta (20), estes contratos para julho próximo somam alta de apenas 1.060 pontos. Terminou na sexta (20) a rolagem para setembro dos contratos com vencimento em julho próximo na ICE americana.
Contratos de robusta
Na ICE Europe, os contratos de robusta para julho próximo bateram na sexta (20), na máxima do dia, US$ 4.115 por tonelada – alta de US$ 81. Fecharam o pregão valendo US$ 3.887, em queda de US$ 147. Quinta (19) subiram US$ 14 e quarta recuaram US$ 299.
Na terça (17) caíram US$ 42 e na segunda (16) perderam US$ 77. Somaram queda de US$ 551 na semana passada e de US$ 2 na semana retrasada. Caíram US$ 70 na semana anterior a ela. Recuaram US$ 280 em maio e, em abril, esses contratos tiveram alta de US$ 71.
Em 2025, até sexta (20), esses contratos de robusta para julho próximo acumulam queda de US$ 840 por tonelada.
Estoque certificados
Os estoques de cafés certificados na ICE Futures US subiram na sexta (20) 4.759 sacas, e estão em 868.567 sacas. Há um ano eram 831.595 sacas, subindo nesse período 36.972 sacas. Subiram na semana passada 22.276 sacas, e na semana retrasada, 25.622 sacas. Caíram na semana anterior a ela 67.721 sacas.
Em maio, somaram alta de 74.722 sacas e em abril, subiram 43.192 sacas. Em março recuaram 35.112 sacas, e em fevereiro caíram 61.994 sacas. Em janeiro a queda foi de 112.385 sacas. Em 2025, até sexta (20), os estoques certificados pela ICE Futures US acumulam queda de 111.400 sacas.
Contratos futuros em R$
Em reais por saca, os contratos para julho próximo na ICE Futures US fecharam sexta (20) valendo R$ 2.331,77. Terminaram a sexta anterior (13) valendo R$ 2.563,17 e a sexta anterior a ela, R$ 2.637,64.
Mercado físico
Com queda todos os dias nas bolsas de Nova York e Londres, o mercado físico brasileiro apresentou-se calmo no decorrer da semana passada, com poucos produtores dispostos a vender nas bases oferecidas pelos compradores.
Nas últimas semanas, aos poucos, vem crescendo o número de negócios fechados com lotes da nova safra 2025/2026. Há interesse comprador para todos os padrões de café. Os trabalhos de colheita do arábica estão com bom ritmo. As vendas de conilon estão mais avançadas, com volume bem maior de negócios fechados. Lotes de arábica da atual safra 2024/2025 ainda em mãos de produtores são poucos, em volume historicamente baixos. Os cafeicultores que detêm esses lotes se recusam a vender nas bases de preços ofertadas atualmente pelos compradores.
Embarques
Até sexta (20), os embarques de junho estavam em 1.019.988 sacas de café arábica, 195.678 sacas de café conilon e 130.187 sacas de café solúvel, totalizando 1.345.853 sacas embarcadas – contra 1.636.608 sacas no mesmo dia de maio.
Certificados de origem
Até sexta (20), os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em junho totalizavam 1.620.153 sacas – contra 1.843.497 sacas no mesmo dia do mês anterior.