Arábica alcança em julho maior patamar de preço desde 2022

A situação climática adversa e a redução na produção e qualidade do café impactam significativamente o mercado. As exportações seguem em alta, mas a oferta de grãos de alta qualidade é limitada. A volatilidade nos preços e estoques reflete a incerteza e os desafios enfrentados pelos produtores e mercados globais de café.

A colheita da nova safra brasileira de café 2024/2025 avança rapidamente e se aproxima do final. As informações de todas as regiões produtoras de arábica e conilon continuam preocupantes, confirmando uma quebra em relação às estimativas anteriores. 

A produção foi menor, como já está claro na colheita dos frutos. No processo de beneficiamento, observa-se uma segunda quebra, com um volume baixo de grãos peneira 17 e acima. O volume de cereja descascados (CDs) também é bem menor nesta safra.

Clima e produção: As questões climáticas continuam tanto no Brasil como nos demais países produtores. Com o La Niña entrando no segundo semestre, cresce a preocupação com a próxima safra global de café 2025/2026. Não há previsão de normalização climática neste ano e no próximo.

Preços e exportações: Levantamento do CEPEA/Esalq-USP mostra que o preço médio do arábica em julho alcançou o maior patamar real desde fevereiro de 2022. O Brasil exportou 1,91 milhão de sacas de café solúvel no primeiro semestre de 2024, alta de 3,3% em comparação com o mesmo período de 2023. Destaca-se entre os principais importadores países concorrentes na produção e industrialização de solúvel, como Indonésia, México e Vietnã.

Com a queda do dólar frente ao real, os contratos de arábica em Nova Iorque e de robusta em Londres oscilaram menos e fecharam em alta. 

ICE Futures US (Nova York): Os contratos para setembro fecharam em US$ 2,3050 por libra peso (+ 325 pontos). 

ICE Europe (Londres): Os contratos de canéfora para setembro fecharam em US$ 4.227,00 por tonelada (+ US$ 2,00).

Estoques de cafés certificados: 7.275 sacas (2/8), totalizando 830.094 sacas. O dólar fechou a R$ 5,7090, em queda de 0,45%.

Os compradores melhoraram as ofertas, mas grande parte dos produtores permaneceu fora do mercado. Houve pequena movimentação de negócios fechados. A procura por lotes de CDs finos e graúdos com boa porcentagem de peneiras 17 e 18 foi alta, mas essa mercadoria é rara nesta nova safra.

Clima: O final de semana será favorável à colheita do café, com tempo firme e temperaturas em elevação na maioria das regiões produtoras. Áreas do norte do Espírito Santo e sul da Bahia continuarão com tempo instável e chuva isolada. Na próxima semana, uma nova frente fria deve espalhar chuvas mais fortes na região Sul e instabilidades nas áreas produtoras do Sudeste, podendo prejudicar as atividades de colheita.

Exportação: 3.607.328 sacas de café (até 2/7), contra 3.555.659 sacas na mesma data da safra passada.

Emissão de certificados de origem: 4.058.959 sacas (julho), contra 3.524.464 sacas no mesmo dia do mês anterior.

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