Fonte: Revista Cafeicultura
Os preços do café arábica tem instabilidade, impulsionados pela incerteza em torno da nova tarifa comercial de 50% imposta pelos Estados Unidos ao Brasil. A medida, anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump, visa pressionar o governo brasileiro em meio a tensões políticas envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, conforme reportado pela agência Reuters.
Apesar de alguns setores brasileiros — como energia e suco de laranja — terem sido poupados da sobretaxa, o café ainda não foi incluído na lista de isenções. Essa indefinição gerou forte reação no mercado internacional, aumentando as expectativas de prejuízos no comércio entre os dois maiores protagonistas do setor: o Brasil, maior produtor e exportador global de café, e os Estados Unidos, principal consumidor mundial da bebida.
Exportadores brasileiros seguem pressionando o governo americano por uma exclusão da tarifa, que agora está prevista para entrar em vigor no próximo dia 6 de agosto. Enquanto isso, os traders já antecipam impactos significativos na dinâmica de oferta e demanda global. Com o risco da tarifa sendo concretizado, o café brasileiro tende a perder competitividade no mercado norte-americano, o que pode redirecionar fluxos de exportação para outros destinos e provocar uma corrida por estoques antes da mudança nas regras.
Segundo informações da ICE Futures, os contratos futuros do café arábica subiram 1,8%, sendo negociados a US$ 2,9875 por libra-peso na manhã desta quinta-feira. O movimento foi contrário ao fechamento anterior, que havia registrado queda de 1%. Já os contratos de café robusta apresentaram leve recuo de 0,1%, após alta na sessão anterior.
Atualmente, o Brasil representa cerca de um terço de todo o café importado pelos EUA, país que cultiva apenas pequenas quantidades da bebida em regiões como Havaí e Porto Rico — o que o torna altamente dependente das importações. A imposição da tarifa, portanto, pode gerar impactos tanto para produtores e exportadores brasileiros quanto para o consumidor americano.
A expectativa do setor cafeeiro brasileiro segue sendo a exclusão do produto da lista de tarifas, mas a pressão política internacional adiciona um novo fator de instabilidade ao mercado global do café.