Fonte: Agrolink
Catuaí teve 63,2% menos folhas lesionadas; efeito variou entre as variedades.
O fornecimento de Silício pode ajudar a reduzir a intensidade da cercosporiose em mudas de cafeeiro. Pesquisa da Universidade Federal de Lavras (UFLA), da Epamig e de instituições parceiras registrou 63,2% menos folhas lesionadas e 43% menos lesões por planta na variedade Catuaí Vermelho IAC 99 tratada com silicato de Cálcio.
O estudo comparou mudas bem nutridas de Catuaí, Mundo Novo e Icatu, com e sem aplicação do produto no substrato. O teor de cálcio foi igualado nos tratamentos, permitindo aos pesquisadores atribuir ao silício a diferença observada.
A microscopia eletrônica identificou uma camada de cera mais desenvolvida na face inferior das folhas tratadas, especialmente no Catuaí. Segundo a pesquisadora Adélia Aziz Alexandre Pozza, essa alteração pode funcionar como uma barreira adicional ao avanço da doença. A estrutura também pode reduzir a formação do filme de água necessário à germinação e à penetração do fungo.
A resposta variou conforme a variedade. O Icatu, considerado mais resistente à cercosporiose, apresentou efeito menor. Os resultados indicam que as características genéticas influenciam a reação ao silício.
O uso deve integrar o manejo, associado à escolha da variedade, ao equilíbrio nutricional, ao acompanhamento fitossanitário e à aplicação de defensivos agrícolas. A cercosporiose pode causar desfolha, atraso no crescimento e perda de vigor das mudas. “A formação de uma camada de cera mais desenvolvida e a maior presença de silício na superfície das folhas ajudam a explicar por que algumas plantas apresentaram menor intensidade da doença. É uma resposta estrutural da própria planta”, conclui.