Fonte: Café Point
Segundo relatório mensal da OIC, divulgado na segunda-feira (12), melhora nas perspectivas de oferta, menor incerteza regulatória e desvalorização do real pressionaram as cotações; robusta liderou as perdas.
De acordo com o Relatório do Mercado de Café de dezembro de 2025, da Organização Internacional do Café (OIC), o Preço Indicativo Composto da OIC (I-CIP) teve média de 304,68 centavos de dólar por libra-peso, o que representa uma queda de 7,8% em relação a novembro.
O recuo foi mais acentuado entre meados de novembro e meados de dezembro, quando o indicador caiu de 343,92 centavos/lb para uma mínima de 283,21 centavos/lb, antes de uma recuperação parcial no fim do mês. Segundo a OIC, o movimento reflete uma melhora nas perspectivas globais de oferta — reforçada por relatórios recentes do USDA —, a redução das incertezas regulatórias e a desvalorização do real, que estimulou vendas por parte dos produtores brasileiros.
Todos os grupos de café registraram queda de preços em dezembro, com destaque para o robusta, que recuou 11,3%. Antes mesmo da queda mais intensa, o mercado já vinha precificando um balanço global mais favorável, apoiado pelo adiamento e revisão do Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR) e pela retirada da tarifa imposta pelos Estados Unidos ao café verde do Brasil.
Estoques apertados e exportações em alta
Apesar do recuo das cotações, o mercado segue operando com estoques limitados. Em três dos últimos quatro anos cafeeiros, o consumo global superou a produção, resultando em um déficit acumulado de 17,9 milhões de sacas. Na Europa, os estoques de consumo caíram para 7,86 milhões de sacas, enquanto, nos Estados Unidos, os estoques certificados de café arábica recuaram para 480 mil sacas em dezembro de 2025.
Ao mesmo tempo, as exportações mundiais de café verde continuaram a crescer. Em novembro, os embarques somaram 8,95 milhões de sacas, alta de 4,8% na comparação anual. As exceções foram os suaves colombianos, com queda de 0,9%, e os naturais brasileiros, que recuaram 14,7%, para 3,25 milhões de sacas — movimento parcialmente explicado pelo nível excepcionalmente elevado das exportações do Brasil em novembro de 2024.
A participação dos arábicas no total das exportações de café verde caiu para 63,8%, ante 70,4% um ano antes, refletindo o avanço dos robustas, impulsionado principalmente por Vietnã (+93,2%), Indonésia (+27,0%) e Uganda (+75,5%). No caso de Brasil e Vietnã, segundo a OIC, as variações refletem sobretudo uma normalização do mercado, e não mudanças estruturais na oferta.