O que está por trás da oscilação da soja

Fonte: Agrolink

A oferta global também pesa sobre as cotações.

O mercado da soja segue em um cenário de forças opostas, refletindo a combinação de fatores que sustentam e limitam os preços no cenário internacional. De acordo com análise da TF Agroeconômica, os fundamentos atuais indicam um equilíbrio delicado entre oferta elevada e sinais pontuais de demanda mais firme.

Pelo lado positivo, o farelo de soja voltou a assumir protagonismo dentro do complexo, impulsionado pela maior competitividade nas exportações. O contrato de maio atingiu US$ 366,85 por tonelada, enquanto as vendas semanais somaram 220,9 mil toneladas, volume 33% superior ao da semana anterior. Esse movimento reforça a demanda pelo subproduto e contribui para dar sustentação ao mercado. Soma-se a isso a expectativa de possível elevação na mistura obrigatória de biodiesel nos Estados Unidos, o que poderia ampliar o consumo de óleo de soja. Além disso, o mercado vinha de um período de seis semanas consecutivas de alta em Chicago, evidenciando um impulso comprador recente.

Por outro lado, fatores de pressão seguem relevantes. As exportações norte-americanas ficaram abaixo das expectativas, com vendas de apenas 298 mil toneladas na semana, recuo de 35% em relação à anterior. Há também a possibilidade de aumento da área de soja nos Estados Unidos na próxima safra, favorecida pelo custo mais elevado dos insumos para o milho. A demanda chinesa permanece aquém do esperado, com compras ainda não concluídas e volume abaixo do inicialmente projetado.

A oferta global também pesa sobre as cotações. A colheita recorde no Brasil amplia a disponibilidade no mercado internacional, enquanto as condições das lavouras na Argentina melhoraram com as chuvas recentes, mantendo a projeção de 48,5 milhões de toneladas. No cenário global, a previsão é de produção recorde de 442 milhões de toneladas em 2026/27, acima da safra atual. Soma-se a isso a realização de lucros por parte dos fundos, que passaram a liquidar posições após semanas de valorização.

Diante desse quadro, a tendência de curto prazo é lateral a levemente baixista, influenciada pela pressão da oferta sul-americana e ajustes técnicos. Já no médio prazo, o viés permanece neutro com inclinação de alta, condicionado à manutenção da firmeza do complexo soja e ao avanço da demanda por biocombustíveis.
 

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