Fonte: Café Point
Esgotamento da infraestrutura portuária gerou prejuízo de mais de R$ 6 milhões às empresas exportadoras no mês passado.
Mesmo durante a entressafra dos grãos, exportadores continuam a enfrentar gargalos logísticos e a acumular prejuízos com custos extras durante os processos de embarque nos principais portos do país.
Segundo dados atualizados pelo Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), o setor não conseguiu embarcar 737.653 sacas de 60 kg de café – o equivalente a 2.236 contêineres –, gerando prejuízo de R$ 6,657 milhões à empresas com armazenagem adicional, detentions, pré-stacking e antecipação de gates.
Desde junho de 2024, os exportadores associados ao Cecafé acumulam prejuízo de mais de R$ 73 milhões com custos extras causados pela estrutura defasada nos principais portos de café no Brasil. O não embarque de abril impediu, também, que o país recebesse R$ 1,9 bilhão como receita cambial nas transações comerciais, considerando o preço médio Free on Board (FOB) de exportação de US$ 445,47 por saca (café verde) e um dólar de R$ 5,7831 na média do mês passado.
Em comunicado do Cecafé emitido hoje, o diretor técnico Eduardo Heron reforça a importância dos anúncios do poder público sobre investimentos em infraestrutura – como o leilão do Tecon Santos 10, a concessão do canal de entrada marítima ao porto, o túnel de ligação Santos-Guarujá e a terceira via de descida da Rodovia Anchieta para a baixada santista –, mas destaca a necessidade de acelerar esses processos.
“Essas melhorias propostas levarão cerca de cinco anos para serem entregues”, diz ele, destacando a necessidade de menor burocracia e menos restrições, como vem ocorrendo na questão do leilão do Tecon Santos 10.
“Quando não conseguimos exportar nossos cafés devido à não concretização dos embarques por falta de infraestrutura portuária, também deixamos de repassar mais receita aos nossos produtores”, lembra ele.
Raio-X dos atrasos
Conforme o Boletim Detention Zero (DTZ), elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé, 56% dos navios – ou 157 de um total de 283 embarcações –, tiveram atrasos ou alteração de escalas nos principais portos do Brasil em abril de 2025.