Manejo ineficiente de plantas daninhas em lavouras de café em áreas mecanizadas

Fonte: Café Point

Controle inadequado do mato, especialmente no período chuvoso, intensifica a matocompetição e compromete o desenvolvimento e a produtividade do cafeeiro, exigindo estratégias de manejo mais eficientes e integradas.

Observações em campo, especialmente nas lavouras de café em áreas mecanizadas, mostram que o manejo do mato tem sido feito, em muitos casos, de maneira inadequada, permitindo a concorrência das ervas daninhas com os cafeeiros.

O manejo adequado das plantas daninhas é essencial para garantir o bom desenvolvimento do cafeeiro e preservar a produtividade da lavoura. Entre os métodos de controle das ervas mais utilizados estão a roçada e o uso de herbicidas, que podem ser utilizados de forma isolada ou integrada, conforme as condições de cada área.

A época de controle do mato mais crítica se situa entre outubro e abril, período em que as chuvas favorecem o crescimento das plantas daninhas e o cafeeiro está em fase de crescimento vegetativo e desenvolvimento da frutificação. Nessa condição, a matocompetição provoca forte concorrência por água e nutrientes, podendo reduzir o vigor das plantas e o potencial produtivo da lavoura.

A definição da melhor estratégia de manejo depende de alguns fatores importantes, como: espécie e estágio de desenvolvimento das plantas daninhas predominantes; idade do cafezal; tamanho da propriedade; disponibilidade e tipo de maquinário.

Muitos produtores têm optado pelo uso exclusivo da roçada durante todo o período chuvoso. Embora seja uma prática válida, em várias áreas o controle tem se mostrado ineficiente, pois, após a roçada, as plantas daninhas permanecem com estruturas vegetativas vigorosas, permitindo rápida rebrota. Isso reduz o tempo de controle e mantém a concorrência com o cafeeiro.

A roçada, quando executada de forma correta e combinada com outros sistemas de controle do mato, apresenta benefícios como: redução do uso de herbicidas; menor impacto ambiental; formação de cobertura vegetal, contribuindo para o aumento da matéria orgânica do solo; e melhoria das condições de tráfego no cafezal.

Para que sejam obtidos bons resultados com a roçada, é preciso observar alguns cuidados fundamentais, como: ajustar corretamente a altura de corte da roçadeira ou trincha; manter facas e martelos em bom estado; operar o trator em velocidade adequada; utilizar largura de corte compatível com a largura das ruas do cafezal.

Em resumo, uma roçada bem feita deve eliminar quase totalmente a parte aérea das plantas daninhas. Isso aumenta o intervalo entre as operações, reduz a necessidade de novas intervenções e diminui a concorrência com o cafeeiro no período mais crítico do seu ciclo.

Por último, é preciso considerar que o uso de roçadas exclusivas leva a perdas de produtividade na lavoura de café, uma vez que a massa vegetal morta é utilizada para a rebrota do próprio mato, e não para o desenvolvimento dos cafeeiros. Pesquisas realizadas, com grande número de safras avaliadas, mostram que a simples roçada se comporta de forma apenas um pouco melhor do que a testemunha, sem controle do mato. Nesses trabalhos, os cafeeiros mantidos no limpo sempre são os mais produtivos.


Duas áreas de lavouras de café com serviço de roçada mal feito, deixando ervas daninhas sem roçar e, em muitos locais, com roçada muito alta. Nesses casos, deve-se ter maior cuidado para cobrir com roçada todo o espaço das ruas e efetuar cortes mais baixos, ajustando a altura e a passagem lateral da roçadeira

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