Fonte: Agrolink
O ponto central é que o país depende fortemente do mercado externo.
A redução das importações de fertilizantes pelo Brasil acende um alerta para o planejamento da safra 2026/27, em um momento em que produtores e empresas acompanham também o endividamento rural e os preços da soja. A avaliação é de Antonio Prado G. B. Neto, conselheiro do agronegócio, no Café com Prado.
O ponto central é que o país depende fortemente do mercado externo para abastecer suas lavouras. Por isso, a queda nas compras em maio e no acumulado de 2026 precisa ser observada com atenção, não apenas pelo volume menor de produto chegando aos portos, mas pelo contexto de incertezas que cerca o mercado global de insumos.
O setor ainda convive com os efeitos de crises anteriores, como a forte alta dos fertilizantes em 2008 e os impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia. Esse histórico reforça a cautela de empresas, que têm evitado formar estoques elevados diante da volatilidade dos preços internacionais e das tensões geopolíticas.
As incertezas envolvendo o Oriente Médio e o risco de interrupções logísticas em rotas importantes para o comércio global também influenciam a postura do mercado. Em muitos casos, a decisão tem sido adiar compras na expectativa de preços mais acomodados nos próximos meses.
O desafio é que o calendário agrícola impõe prazos rígidos. A poucos meses do início do plantio da soja, a formação dos estoques para a safra 2026/27 precisa avançar. Se as importações permanecerem abaixo do necessário, o mercado pode enfrentar menor disponibilidade de produto e preços mais altos justamente no período de maior demanda.
O impacto potencial vai além do custo. Em um ambiente de maior incerteza climática, reduzir investimentos em fertilidade do solo e nutrição das plantas pode comprometer a produtividade e limitar a capacidade das lavouras de enfrentar períodos de estresse hídrico. Nesse cenário, a próxima safra começa a ser definida antes mesmo da entrada das plantadeiras em campo. Crédito, fertilizantes, correção do solo e planejamento passam a caminhar juntos na construção das condições produtivas para 2026/27.