Fonte: Agrolink
A diferença também aparece na modalidade do crédito.
A inadimplência no agronegócio brasileiro avançou em 2026, mas os dados mostram diferenças relevantes entre regiões e tipos de financiamento, revelando um cenário de risco bastante desigual no campo. A avaliação é de Valéria L., analista de recuperação de crédito, com base em números recentes da Serasa Experian e do Banco Central.
Entre pessoas físicas, a média nacional de inadimplência chegou a 8,8%. No Centro-Oeste, o índice alcançou 10,1%, em meio à pressão provocada pela redução das margens de soja e milho. No Norte, a taxa subiu para 13,2%, o maior percentual entre as regiões citadas. Já no Rio Grande do Sul, mesmo após anos marcados por eventos climáticos severos, a inadimplência ficou em 5,8%, a menor entre os recortes apresentados.
A diferença também aparece na modalidade do crédito. Nas operações com juros livres, realizadas em condições de mercado, a inadimplência atingiu 15,5%. Nas linhas com juros regulados, o percentual ficou em 3,7%. Apesar de bem mais baixo, esse índice também representa um recorde histórico para a categoria.
Segundo a análise, o desempenho gaúcho está ligado a fatores estruturais. A presença de cooperativas de crédito e produção contribui para absorver parte do risco de liquidez e facilitar renegociações antes que os problemas cheguem ao sistema bancário tradicional. A maior utilização de seguro agrícola e Proagro também reduz os impactos financeiros causados por perdas de safra.
Outro fator é o perfil do endividamento, mais concentrado em linhas oficiais e de juros controlados, que permitem alongamentos de prazo em medidas estruturadas. O cenário indica uma reorganização do risco no agro, com a liquidez tendendo a buscar operações com maior governança, proteção e rede de apoio.