Gotejamento impulsiona agricultura regenerativa e recuperação de solos.

Fonte: Revista Cafeicultura

Irrigação localizada fortalece práticas sustentáveis, auxilia na recomposição de áreas degradadas e favorece o aumento da matéria orgânica do solo

A agricultura regenerativa vem ganhando espaço como alternativa para recuperar áreas degradadas sem abrir mão da produção em bases sustentáveis. O tema ganha peso especial na agricultura tropical, onde os solos respondem de forma intensa ao clima quente e úmido e exigem práticas que ajudem a manter sua vitalidade. Nesse contexto, a irrigação localizada, especialmente o gotejamento, tem se consolidado como uma das principais aliadas do produtor.

“O gotejamento coloca a água exatamente onde a planta precisa, na zona radicular, sem excessos nem desperdícios. Isso significa preservar a estrutura do solo e criar condições para que a vida microbiológica floresça novamente”, explica Elidio Torezani, engenheiro agrônomo e diretor da Hydra Irrigações, pioneira na revenda Netafim no Brasil.

Segundo o engenheiro, a tecnologia se mostra especialmente útil em áreas que passaram por degradação e precisam de manejo cuidadoso para retomar a fertilidade. Inclusive, o desafio brasileiro é significativo: entre 1985 e 2024, o país perdeu 111,7 milhões de hectares de áreas naturais, o que corresponde a cerca de 2,9 milhões de hectares por ano, espaço equivalente a 13% do território nacional, maior que a Bolívia.

A maior parte dessa perda ocorreu com a transformação das terras para pastagem e agricultura, que cresceram 62,7 milhões e 44 milhões de hectares, respectivamente. A recomposição dessas áreas passa pelo uso de técnicas que associem produção com conservação, e o gotejamento tem papel central nesse processo.

Recuperação gradual

Ao manter a umidade estável, sem encharcamento, o gotejamento cria um ambiente propício para a recomposição da matéria orgânica do solo. Esse equilíbrio é fundamental para reativar microrganismos e garantir maior infiltração de água. “Não se trata apenas de irrigar: é de devolver vida ao solo. E isso começa pelo manejo correto da água”, destaca Torezani.

Menos erosão

Outro ponto de impacto está no controle da erosão. Enquanto outros sistemas podem desagregar partículas do solo, a irrigação por gotejamento atua gota a gota, preservando a camada superficial.

“Quando a água é aplicada de forma precisa, a erosão é mínima e os nutrientes permanecem onde são necessários. Isso acelera a recuperação do solo e mantém a produtividade”, complementa Torezani.

Uso eficiente da água

A eficiência hídrica também está no centro da discussão. O Brasil possui potencial irrigável de 53,4 milhões de hectares, segundo estudo da Esalq/USP em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (Esalq/MIDR). Se manejada de forma sustentável, essa expansão pode acrescentar R$ 37,1 bilhões ao PIB até 2040.

“O gotejamento garante produtividade com até 50% menos água em comparação a outros métodos. Essa eficiência é o que permite pensar em aumentar área irrigada sem comprometer os recursos hídricos”, reforça o agrônomo.

Recuperação produtiva

Ao unir irrigação de precisão com práticas regenerativas, o produtor consegue transformar áreas antes degradadas em sistemas produtivos e sustentáveis.

“A irrigação localizada permite que áreas em recuperação gerem alimentos e rendimentos desde cedo, sem comprometer o solo. É uma forma de recuperar e produzir ao mesmo tempo”, conclui Torezani.

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