Fonte: Agrolink
“Estamos vivendo uma tempestade perfeita entre comercialização e entrega”.
As restrições no mercado internacional de fertilizantes estão levando compradores brasileiros a antecipar negociações e priorizar produtos já nacionalizados. A menor oferta, as dificuldades de crédito e os riscos logísticos aumentaram a procura por fornecedores e fontes alternativas.
Segundo o diretor da AgriConnection Fertilizers, Rafael Almeida, a pressão é maior sobre os fosfatados, que têm menos possibilidades de substituição. Dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos mostram que as entregas ao mercado brasileiro caíram 5,4% no primeiro semestre de 2026, para 19,02 milhões de toneladas.
“Estamos vivendo uma tempestade perfeita entre comercialização e entrega, geopolítica e crédito. São muitas variáveis acontecendo ao mesmo tempo. Quem deixou a compra para mais tarde pode encontrar preços maiores, mas também falta disponibilidade e janela logística para receber o produto”, afirma Almeida.
A empresa também ampliou a busca por fornecedores internacionais e passou a priorizar fertilizantes já disponíveis no Brasil. Nos nitrogenados, a menor importação de ureia abriu espaço para alternativas como o sulfato de amônio.
Em 2025, a AgriConnection negociou 130 mil toneladas. Até o início de setembro de 2026, somava cerca de 106 mil toneladas entre entregas e contratos, com expectativa de superar o volume do ano anterior. “A redução da importação de ureia não significa necessariamente desabastecimento de nitrogênio. O Brasil pode ser suprido por outras fontes. O que estamos vendo é uma mudança na matriz, com o mercado buscando alternativas para substituir produtos que perderam disponibilidade ou competitividade”, explica Almeida