Fertilizantes disparam e podem virar o jogo da safra

Fonte: Agrolink

Simulações indicam impacto direto nos custos de produção.

A escalada de tensões no Oriente Médio começa a gerar reflexos no planejamento agrícola brasileiro, especialmente diante da alta nos custos de insumos estratégicos. O cenário internacional pressiona o mercado de fertilizantes e pode influenciar decisões importantes sobre o plantio da safra 2026/27.

Levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária aponta que o aumento nos preços da ureia e dos fertilizantes fosfatados está ligado a gargalos logísticos no Estreito de Ormuz, rota relevante para o comércio global. Esse movimento ocorre em um período considerado sensível para o abastecimento no Brasil, já que as importações de nitrogenados e fosfatos costumam ganhar ritmo a partir de março.

De acordo com o instituto, os preços da ureia subiram entre 30% e 35% desde o início do conflito envolvendo o Irã. Apesar disso, os produtores de Mato Grosso adquiriram apenas cerca de 6% do volume necessário para a próxima safra, percentual bem abaixo da média histórica, o que aumenta a exposição às oscilações do mercado.

Simulações indicam impacto direto nos custos de produção. Em áreas de milho de alta tecnologia em Sinop, uma elevação de 30% nos nitrogenados pode aumentar o custo operacional em 4,68%, o equivalente a 5,9 sacas por hectare. No caso da soja, a atenção se volta aos fosfatados. O Brasil dependeu no último ano de importações relevantes do Egito e de Israel, enquanto no Mato Grosso esses dois países responderam por quase 60% do total adquirido.

Diante desse cenário, produtores podem rever a estratégia de plantio. A tendência inicial é de redução da área de milho na primeira safra, com maior espaço para a soja e possível transferência do milho para a segunda safra, quando a compra de fertilizantes ocorre mais adiante e pode encontrar preços menos pressionados. No caso da soja, há a possibilidade de ajuste na adubação, com uso da fertilidade já presente no solo.

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