Consumo de café no Brasil cai 2,31% em 2025.

Fonte: Café Point

Volatilidade dos preços freou o consumo per capita em 2025, mas o faturamento cresceu; a expectativa de uma safra maior em 2025/26 pode estabilizar mercado.

O consumo de café torrado e moído no Brasil caiu em 2025, segundo dados divulgados nesta quinta (29) pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). Entre novembro de 2024 e outubro de 2025, o volume passou de 20,85 milhões para 20,24 milhões de sacas, uma retração de 2,92% na comparação com o período anterior.

A queda reflete, sobretudo, a forte volatilidade dos preços da matéria-prima, que atingiu o varejo com atraso, mas de forma significativa. O consumo per capita de café torrado e moído recuou de 5,01 kg para 4,82 kg por habitante/ano (-3,88%).

Faturamento cresce apesar da retração

Apesar do menor volume, o faturamento da indústria cresceu 25,6% em 2025, alcançando R$ 46,24 bilhões, impulsionado pela alta dos preços nas gôndolas. Nos últimos cinco anos, enquanto o preço do café verde subiu mais de 200%, o repasse ao consumidor ficou em torno de 116%, indicando compressão das margens da indústria.

A ABIC destacou que a escalada e a queda abrupta das cotações do café verde — especialmente entre novembro de 2024 e agosto de 2025 — dificultaram o planejamento industrial e contribuíram para o impacto no consumo. Em alguns momentos do ano, a oferta de matéria-prima chegou a níveis considerados críticos.

Solúvel avança, torrado recua

Na contramão do torrado e moído, o consumo de café solúvel cresceu 9,5% em 2025, beneficiado pela maior participação dos canéforas na matéria-prima e por preços relativamente mais competitivos. Já o consumo total de café (torrado, moído e solúvel) caiu 2,31%, para 21,4 milhões de sacas.

Expectativa da safra 2025/26 

Com boa florada e condições climáticas mais favoráveis, a expectativa da ABIC é de uma safra 2025/26 maior, o que tende a reduzir a volatilidade dos preços. No entanto, os estoques globais seguem historicamente baixos, o que limita quedas expressivas no preço ao consumidor no curto prazo. A entidade projeta recuperação gradual do consumo, apoiada em promoções pontuais e maior estabilidade do mercado.

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