Café inicia a semana sob tensão global e clima incerto nas lavouras

Fonte: Revista Cafeicultura

Mercado de arábica e robusta abre a segunda-feira(2) com oscilações nas bolsas internacionais, enquanto investidores monitoram cenário geopolítico no Oriente Médio, dólar e fundamentos de oferta no Brasil e na Ásia

O mercado internacional de café abriu esta segunda-feira (2), com movimentação mista nas principais bolsas globais, refletindo ajustes técnicos, atenção às condições climáticas nas origens produtoras e um ambiente externo mais sensível após a escalada das tensões envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos no fim de semana.

Na bolsa de Nova York, referência para o Café Arábica, os contratos mais negociados iniciaram o dia entre leves altas e baixas, em um movimento que demonstra cautela dos investidores. O vencimento março/26 abriu em 284,60 cents por libra-peso, com recuo de 140 pontos. O maio/26 começou o pregão em 281,20 cents por libra-peso, com avanço de 45 pontos, enquanto o julho/26 iniciou a sessão em 276,00 cents por libra-peso, com alta de 10 pontos.

O mercado segue atento à disponibilidade física no Brasil, maior produtor e exportador mundial de café. A oferta da safra passada permanece ajustada, com estoques considerados apertados, enquanto as atenções já se voltam para o desenvolvimento da safra 2026. Após um ciclo marcado por irregularidade de chuvas em importantes regiões produtoras, como o Sul de Minas e a Mogiana paulista, o comportamento climático nos próximos meses será determinante para a consolidação das expectativas produtivas.

Além do clima, o câmbio permanece no radar. Movimentos de fortalecimento do dólar frente a moedas emergentes tendem a limitar o avanço das commodities, ao mesmo tempo em que estimulam fixações por parte de exportadores brasileiros. Fundos e investidores institucionais também ajustam posições diante do ambiente macroeconômico e do aumento da aversão ao risco.

Em Londres, referência para o Café Robusta, o mercado também abriu com oscilações entre os principais vencimentos. O contrato março iniciou cotado a US$ 3.680 por tonelada, com recuo de US$19 por tonelada. O maio abriu a US$ 3.746 por tonelada, com valorização de US$122 por tonelada, enquanto o julho começou a sessão a US$ 3.650 por tonelada, com alta de US$ 98 por tonelada.

No caso do robusta, o suporte estrutural continua vindo da oferta restrita no Vietnã, principal produtor global da variedade, além do ritmo das exportações asiáticas e da demanda consistente da indústria de café solúvel. A recomposição de estoques internacionais segue gradual, mantendo o mercado sensível a qualquer sinal de aperto adicional na oferta.

O cenário geopolítico adiciona um componente extra de volatilidade. A intensificação das tensões no Oriente Médio eleva as preocupações com o mercado de energia, podendo impactar o petróleo e, consequentemente, os custos logísticos globais. Além disso, momentos de instabilidade internacional costumam fortalecer o dólar e estimular movimentos especulativos nas bolsas, fatores que podem ampliar a oscilação das cotações nos próximos dias.

Diante desse conjunto de variáveis, o mercado de café inicia a semana equilibrando fundamentos de oferta ainda ajustados, incertezas climáticas nas principais origens e um ambiente externo mais turbulento, o que mantém investidores e agentes da cadeia produtiva em posição de cautela.

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