Boletim Carvalhaes: Custos de produção disparam e mercado de café reage à instabilidade global

Fonte: Café Point

Alta do petróleo e volatilidade cambial elevam despesas no campo enquanto incertezas sobre a safra 2026/27 e estoques baixos pressionam as cotações em Nova York e Londres.

As incertezas em relação ao fim do conflito no Oriente Médio pressionam os preços do petróleo, que na quinta (26) voltaram a ficar acima dos US$ 100, derrubando as bolsas ao redor do mundo e contribuindo para oscilação na cotação do dólar, o que afeta também as cotações do café em NY e Londres.

Os cafeicultores brasileiros, que estão se preparando para os trabalhos de colheita, foram surpreendidos por uma forte alta no preço do diesel, dos fertilizantes e dos defensivos, ao mesmo tempo que veem as cotações do café serem pressionadas pelas especulações sobre o tamanho da nova safra brasileira 2026/2027. “As chuvas que caem desde meados de janeiro farão com que tenhamos uma boa produção, mas sem capacidade de recuperar as flores e frutos perdidos com os problemas climáticos enfrentados pelos cafezais brasileiros no ano passado”, destacou o Boletim Carvalhaes, que circulou na última sexta (27).

“Estamos no período de entressafra (janeiro a junho) e nossos embarques de café vêm recuando em relação ao mesmo período de 2025. Os números só não são piores porque as exportações de conilon, verde e solúvel apresentaram números melhores em fevereiro, que podem se repetir neste mês de março. As de arábica devem continuar recuando”, apontou o informativo. De acordo com o BC, os estoques ainda em mãos de produtores parecem baixos, e são vendidos aos poucos devido à queda no valor ofertado pelos compradores. Os contratos de arábica em NY trabalharam na sexta (27) em queda moderada e os de robusta, em Londres, encerraram o pregão com pequenas perdas.

Contratos de arábica

Na ICE Futures US, os contratos de arábica para maio próximo oscilaram na sexta (27) 910 pontos entre a máxima e a mínima, trabalhando sempre acima dos US$ 3 por libra peso, e batendo, na máxima do dia, em US$ 3,0910 por libra peso, alta de 145 pontos. Encerraram o dia valendo US$ 3,0170, queda de 595 pontos (1,93%). Na quinta (26) recuaram 845 pontos (2,67%) e, na quarta (25), 175 pontos (0,55%). Em fevereiro caíram 3.460 pontos (10,97%) e, em janeiro, 1.800 pontos (5,40%)

Contratos de robusta

Na ICE Europe, os contratos de robusta para maio próximo bateram, na máxima de sexta (27), em US$ 3.638 por tonelada, alta de US$ 42. Fecharam o pregão a US$ 3.593, queda de US$ 3 (0,08%). Na quinta (26) caíram US$ 33 (0,91%) e, na quarta (25), US$ 33 dólares (0,90%). Em fevereiro caíram US$ 413 (10,23%) e, em janeiro, subiram US$ 165 (4,26%).

Contratos futuros em R$

Em reais por saca, os contratos para maio próximo na ICE Futures US fecharam a sexta (27) valendo R$ 2.091,23. Encerraram a sexta passada (20) a R$ 2.175,30 e a sexta à ela (13) a R$ 2.004,80.

Mercado físico brasileiro

No mercado físico brasileiro de arábica, os compradores diminuíram o valor das ofertas e o mercado apresentou-se calmo, com poucos negócios fechados. O mercado físico de conilon continua apresentando um número mais expressivo de negócios fechados. Há interesse comprador para todos os padrões de café.

Embarque

Até dia 27 os embarques de março estavam em 1.698.251 sacas de arábica, 267.259 sacas de conilon, mais 227.655 sacas de solúvel, totalizando 2.193.165 sacas embarcadas, contra 2.457.783 sacas no mesmo dia de fevereiro. Até o mesmo dia 27, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em março totalizavam 2.493.601 sacas, contra 2.638.797 sacas no mesmo dia do mês anterior.

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