Fonte: Agrolink
Pesquisa, tecnologia e abertura econômica impulsionaram a expansão do setor.
A agricultura brasileira registrou um crescimento expressivo nas últimas décadas, superando proporcionalmente o avanço da produção dos Estados Unidos. Segundo Antonio Cabrera, presidente do Grupo Cabrera, um relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta que a produção agrícola nacional cresceu mais de 437% entre 1987 e 2022, enquanto a americana avançou 41% no mesmo período.
O levantamento identifica diferentes fatores responsáveis por essa transformação, incluindo investimentos em pesquisa, desenvolvimento tecnológico, ganhos de produtividade, expansão das áreas cultivadas e aumento da demanda chinesa. A atuação da Embrapa, especialmente na adaptação de culturas às condições do Cerrado, também aparece como elemento importante.
Outro aspecto destacado é a abertura econômica brasileira a partir dos anos 1990. Conforme o relatório, reformas financeiras, desregulamentação, privatizações e liberalização comercial contribuíram para ampliar a participação de empresas comercializadoras e processadoras no mercado da soja.
Na avaliação de Cabrera, essas mudanças permitiram que a inovação tecnológica e a capacidade produtiva do campo encontrassem melhores condições para expansão e inserção internacional.
O empresário ressalta, entretanto, que os percentuais não significam que a agricultura brasileira seja dez vezes mais eficiente que a americana, já que os Estados Unidos apresentavam um setor agrícola altamente desenvolvido no início do período analisado. Os números demonstram, sobretudo, a dimensão da transformação da produção brasileira.
“É curioso que, enquanto alguns ainda defendem o protecionismo e o fechamento da economia, o próprio governo americano reconheça o peso das reformas liberalizantes no sucesso do nosso agro. A abertura econômica libertou o potencial que o produtor brasileiro sempre teve”, conclui.